O que significa regular o mercado B2B de igaming?
A nova fronteira está no B2B. Plataformas, provedores de jogos, laboratórios de certificação, fornecedores de odds, sistemas de KYC, geolocalização, reconhecimento facial, pagamentos e ferramentas antifraude formam a infraestrutura invisível do setor. Em junho de 2026, a Fazenda discutiu diretrizes para mapear e qualificar empresas que sustentam a operação das plataformas. A lógica é a seguinte: não basta supervisionar a marca que aparece para o apostador se o motor tecnológico, os dados e os mecanismos de
verificação não seguirem padrões mínimos. Mercados maduros perceberam que falhas no backend podem gerar manipulação de eventos, pagamentos irregulares, falhas de identidade, oferta a menores ou dificuldade de bloquear usuários vulneráveis. Por isso, a regulação olha cada vez mais para a cadeia operacional inteira.
Publicidade de bets virou desafio global?
A publicidade se tornou o ponto de maior atrito. Quando anúncios aparecem em jogos, redes sociais, camisas, lives e programas esportivos, a exposição deixa de atingir apenas o público que já aposta. Passa a alcançar crianças, adolescentes, endividados e pessoas em risco. O Ministério da Fazenda já sinalizou intenção de ampliar restrições à publicidade das bets, inclusive com medidas administrativas e possível medida provisória. Esse debate se aproxima de experiências internacionais. Austrália, Reino Unido e Itália mostram caminhos diferentes para autoexclusão, checagens de risco, bloqueio de cartão de crédito e combate ao mercado ilegal. A questão não é eliminar a comunicação comercial, mas exigir responsabilidade. Publicidade de bets precisa informar riscos, evitar promessas de ganho, respeitar restrições de público e reduzir estímulos de urgência. Para o setor, isso significa menos improviso e mais compliance editorial, jurídico e operacional.
O que o Brasil pode aprender com outros países?
O Brasil não precisa copiar um único modelo. Pode combinar licenciamento competitivo, fiscalização tecnológica, autoexclusão, controle de publicidade e punição a operadores irregulares. A própria Secretaria de Prêmios e Apostas tem papel central de autorizar, monitorar, fiscalizar e sancionar empresas do setor. A principal lição é que um mercado maduro não significa ser um mercado sem regras. Quanto mais dinheiro, dados e tecnologia circulam, maior precisa ser a capacidade institucional do regulador. Para operadores licenciados, isso aumenta custos. Para fornecedores B2B, cria exigências de certificação. Para mídia e afiliados, impõe padrões mais rígidos de comunicação.
Regulação mais rígida fortalece ou limita o setor?
Regras mais duras podem reduzir o número de participantes, especialmente os menos capitalizados. Mas também elevam a credibilidade do ambiente. Um mercado com operadores identificáveis, fornecedores certificados e publicidade mais responsável tende a atrair empresas sérias e melhorar a proteção do consumidor. O Brasil está deixando para trás a fase do improviso. A discussão atual sobre B2B, publicidade e governança mostra que o país não está apenas regulando as bets. Está tentando desenhar um modelo institucional de longo prazo, capaz de equilibrar inovação, concorrência e proteção ao consumidor.