O Ministério Público Eleitoral (MPE), por meio da Procuradoria Regional Eleitoral na Bahia (PRE-BA), manifestou-se contra o arquivamento da investigação que apura supostos crimes eleitorais e possíveis irregularidades em contratações públicas envolvendo o prefeito de Rio de Contas, Célio Evangelista da Silva, conhecido como "Célio Vaqueiro". A manifestação foi apresentada na última quinta-feira (2) no âmbito de procedimento que tramita no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). No parecer, o procurador regional eleitoral auxiliar André Luiz Batista Neves defende que a Polícia Federal instaure imediatamente um inquérito policial para aprofundar as investigações. Segundo o Ministério Público, os elementos reunidos até o momento indicam a necessidade de novas diligências para esclarecer os fatos. A posição da Procuradoria diverge do entendimento da Polícia Federal, que havia apontado ausência de elementos mínimos para a continuidade da apuração na esfera federal e sugerido o declínio da competência. Para o Ministério Público, entretanto, vídeos, auditorias financeiras, documentos e outros materiais apresentados pelo vereador Dilemardo Martins Cardoso Filho constituem indícios suficientes para justificar o prosseguimento das investigações.
Suspeita de omissão de despesas
De acordo com a manifestação da PRE, a prestação de contas da campanha eleitoral de 2024 informa despesas de R$ 11.180,00 com a empresa Andressa Assunção Pessoa Ltda., referentes à realização de comícios. Entretanto, conforme sustenta o Ministério Público, a empresa teria fornecido estrutura de grande porte para diversos eventos políticos, incluindo pré-campanha, campanha eleitoral e a festa da vitória. Entre os equipamentos citados estão palcos, sistema de sonorização profissional, iluminação cênica e painéis de LED. Segundo estimativas mencionadas no parecer, o custo de mercado dessa estrutura variaria entre R$ 107 mil e R$ 147 mil. Para a Procuradoria, a diferença entre o valor declarado e o custo estimado pode indicar eventual subfaturamento e omissão de despesas eleitorais, hipótese que ainda será apurada.
Empresa e ex-prefeito também são alvos da apuração
Outro ponto destacado pelo Ministério Público envolve a suposta atuação do ex-prefeito Wilde José Cardoso Tanajura na empresa contratada. Segundo a manifestação, existem indícios de que familiares do ex-gestor figurariam formalmente como sócios da empresa, enquanto Wilde Tanajura exerceria sua administração de fato. O documento ressalta que o ex-prefeito está impedido de contratar com o poder público em razão de condenação por improbidade administrativa. A Procuradoria também menciona registros audiovisuais que, segundo sustenta, mostram Wilde Tanajura participando da montagem da estrutura utilizada durante o Carnaval de 2026, utilizando uniforme da empresa e aparecendo em imagens exibidas nos telões do evento.
Contratos da Prefeitura entram na investigação
O parecer também aponta suspeitas relacionadas a contratos celebrados entre a Prefeitura de Rio de Contas e a empresa investigada após a posse do atual prefeito. Entre os atos mencionados está uma dispensa de licitação no valor de R$ 62 mil, realizada durante decreto de situação de emergência. Segundo o Ministério Público, a contratação não teria sido devidamente publicada no portal oficial do município. Também é citado um pregão eletrônico de R$ 640 mil, no qual, conforme a manifestação ministerial, empresas que apresentaram propostas de menor valor teriam sido desclassificadas por exigências formais. A Procuradoria ainda levanta a hipótese de eventual contratação de uma empresa de contabilidade ligada ao ex-prefeito para viabilizar compensações financeiras relacionadas às despesas da campanha eleitoral, circunstância que deverá ser objeto de investigação.
Diligências solicitadas
Ao pedir a continuidade das investigações, o Ministério Público Eleitoral requereu que a Polícia Federal realize uma série de diligências. Entre elas estão os depoimentos do prefeito Célio Evangelista da Silva, do ex-prefeito Wilde Tanajura, de familiares, do vereador responsável pela representação e de servidores municipais. Também foram solicitadas perícias para verificar a autenticidade dos arquivos digitais apresentados aos autos e para estimar tecnicamente o valor de mercado da estrutura utilizada durante os eventos eleitorais de 2024. Até o momento, não há decisão definitiva sobre o mérito das acusações. O parecer da Procuradoria representa uma manifestação processual favorável ao prosseguimento das investigações, cabendo ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia deliberar sobre os próximos passos do procedimento. A reportagem recomenda que seja solicitado posicionamento do prefeito Célio Evangelista da Silva, do ex-prefeito Wilde José Cardoso Tanajura, da empresa Andressa Assunção Pessoa Ltda. e da Prefeitura de Rio de Contas. Caso não haja resposta até a publicação desta matéria, deve ser registrado que os citados foram procurados e que o espaço permanece aberto para manifestação.