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Família e amigos de Gabriel Teixeira realizam manifestação por justiça e melhorias no atendimento do Hospital de Brumado

Bianca Teixeira - Foto: Luciano Santos l 97NEWS

Familiares e amigos de Gabriel Teixeira da Silva, de 24 anos, realizaram uma manifestação na manhã deste sábado (22), em Brumado, no sudoeste da Bahia. O jovem morreu no último dia 17 de agosto após dar entrada por diversas vezes no Hospital Municipal Professor Magalhães Neto com um quadro que, posteriormente, foi diagnosticado como pneumonia. O protesto reuniu moradores em um ato de solidariedade à família e de cobrança por justiça, apuração de possíveis falhas no atendimento médico e melhorias na assistência prestada pela rede pública de saúde. A irmã de Gabriel, Bianca Teixeira, afirmou que a família pretende levar as denúncias adiante e cobra um atendimento mais preparado e humanizado. “A gente quer justiça e um hospital melhor, com médicos competentes que saibam dar o diagnóstico no momento em que o paciente entra, fazendo os exames necessários em vez de apenas medicar para dor e mandar para casa. É o nosso direito ter uma saúde digna e a gente vai até o fim”, declarou. Segundo os familiares, Gabriel não teria recebido um diagnóstico definitivo durante os primeiros atendimentos. A família também relata episódios de hostilidade por parte de profissionais de enfermagem enquanto o jovem permanecia debilitado, inclusive na ala de emergência. Outro ponto levantado durante a manifestação foi a dificuldade enfrentada pelos familiares para acompanhar Gabriel durante a internação. Conforme os relatos, a mãe teria tido pedidos negados para auxiliar o filho em atividades básicas, como alimentação, mesmo diante da falta de autonomia apresentada pelo paciente.

Mãe relata sequência de atendimentos

Durante o protesto, a mãe de Gabriel, Vanusa Teixeira, também falou sobre o período em que o filho permaneceu em busca de atendimento médico. Segundo ela, Gabriel teria procurado o hospital em diferentes ocasiões, mas inicialmente recebeu orientações para retornar para casa. “Nunca vou esquecer meu filho, nunca vou esquecer o que ele viveu ali dentro. Desde que ele entrou no hospital, nunca deram um diagnóstico correto. O médico falou que ele estava com desconforto abdominal e mandou para casa. Tornou a sentir mal e mandaram para casa de novo. Quando o Samu o buscou e fizeram exames, constataram que ele estava com pneumonia, mas, mesmo assim, mandaram para casa”, relatou. Vanusa afirma ainda que, com a evolução do quadro, o filho passou a apresentar falta de ar intensa e sinais de cianose ao ser encaminhado para a sala vermelha. Segundo ela, mesmo diante da gravidade, as queixas apresentadas pelo jovem teriam sido atribuídas a outros fatores. “A gente via a falta de ar e as dores, mas eles falavam que as dores eram pela posição de estar sempre deitado e que a falta de ar era mais ansiedade pelo que ele estava passando”, afirmou.

Vanusa Teixeira - Foto: Luciano Santos l 97NEWS

Relatos também envolvem período na UTI

De acordo com a mãe, Gabriel também teria relatado à família situações que, na avaliação dos parentes, demonstrariam falhas na assistência prestada durante a permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Vanusa contou que o filho chegou a demonstrar preocupação com o próprio estado de saúde. “Ele falou: ‘mãe, estou temendo pela minha vida aqui’.” A mãe também relatou episódios envolvendo a administração de medicamentos e alimentação. Segundo ela, em uma das situações, um medicamento utilizado na nebulização teria sido derramado sobre o jovem e, posteriormente, o antibiótico não teria sido conectado. Como Gabriel estaria com dificuldade para falar, teria utilizado as mãos para chamar a atenção da equipe. Ainda conforme o relato, em outra ocasião, o jovem teria recebido uma sopa que apresentava um cabelo e, apesar do pedido para que a alimentação fosse substituída, isso não teria ocorrido. As acusações apresentadas pela família durante a manifestação ainda precisam ser formalmente apuradas pelos órgãos competentes. A família afirma que busca reunir documentos e laudos para esclarecer as circunstâncias que antecederam a morte do jovem.

Família cobra investigação e melhorias

Para Vanusa, a mobilização não possui caráter político, mas representa uma cobrança por melhorias na saúde pública de Brumado. “Não é política, é pedido de socorro pelo hospital de Brumado. A maioria da população tem medo de procurar o hospital pelo atendimento, por não ter médicos competentes para chegar lá e dar o diagnóstico correto.” A mãe também pediu investimentos em equipamentos, capacitação dos profissionais e mudanças na forma como os pacientes e familiares são recebidos na unidade. “O que eu espero é que invistam mais na saúde, no treinamento de pessoas para cuidar por amor ao próximo e em mais equipamentos, para que a população vá ao hospital e se sinta segura”, finalizou. A manifestação busca agora chamar a atenção das autoridades municipais e dos órgãos de fiscalização para os relatos apresentados pela família, além de cobrar uma apuração sobre o atendimento recebido por Gabriel antes de sua morte.



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