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Prefeito de Brumado transforma o Dia de Finados em palanque político e é acusado de usar a dor alheia como vitrine pessoal

Foto: Reprodução l Rede Social

O Dia de Finados, em Brumado, deveria ter sido um momento de recolhimento, memória e respeito. No entanto, a data deste ano acabou marcada por um episódio que dividiu opiniões e levantou questionamentos sobre os limites entre o público e o político. O prefeito Fabrício Abrantes (Avante) decidiu visitar os cemitérios Senhor do Bonfim e Jardim Santa Inês, em uma ação anunciada como “apoio psicológico às famílias enlutadas”. O gesto, que poderia representar empatia, acabou sendo percebido por muitos como um ato de autopromoção em meio ao luto coletivo. Tendas identificadas com logotipos da Prefeitura foram montadas nos cemitérios, e o gestor percorreu os corredores entre túmulos e coroas de flores, abraçando pessoas e posando para fotos. O que deveria ser um serviço silencioso e discreto ganhou contornos de encenação política, transformando a dor alheia em cenário de exposição pessoal. A presença das câmeras e o tom performático do evento destoaram do espírito da data, que pede silêncio, sobriedade e recolhimento. A repercussão negativa não demorou. Nas redes sociais e nas conversas de rua, multiplicaram-se as críticas à falta de sensibilidade e à tentativa de transformar o momento em palco político. Para muitos, o prefeito confundiu empatia com espetáculo — e acabou revelando uma característica preocupante de sua gestão: a de tratar cada gesto público como uma oportunidade de marketing. O incômodo cresceu com a circulação de rumores sobre a intenção de Abrantes lançar uma pessoa próxima da família como candidata à Assembleia Legislativa da Bahia. Para parte da população, a coincidência entre essa movimentação política e a exposição pública do gestor no Dia de Finados reforça a percepção de oportunismo e cálculo. Em tempos de política de imagem, é cada vez mais raro ver o poder saber recuar. Há gestos que perdem o valor quando são planejados para a fotografia. Há dores que não aceitam o enquadramento do marketing. O verdadeiro líder sabe compreender o peso do silêncio — e reconhecer quando sua presença deixa de consolar para constranger. O Dia de Finados de 2025 ficará marcado não apenas pela saudade dos que se foram, mas também pela lembrança de um episódio que ensinou uma lição amarga à cidade: nem toda boa intenção resiste ao barulho da autopromoção.



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