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NOS LABIRINTOS DA SAÚDE PÚBLICA

Se se imagina conhecer sobre a saúde no Brasil, favor adentrar-se um hospital público, ao menos a grande maioria deles. Não falo de um Sara Kubtischeck, tampouco de um Hospital das Clínicas em São Paulo. Afora poucos espalhados por este país continental, qualquer um em que se entre dará a medida certa da nossa saúde: filas, corredores lotados, macas pelo chão, leitos superlotados, falta de medicamentos básicos etc.

Aqui, a intenção não é apontar este ou aquele Governo. O foco está no problema em si. Talvez os números expressem tal realidade, ou, no mínimo, a justifiquem. Para não nos atermos a países europeus, ou tidos como de primeiro mundo, tomaremos por base os africanos em que, segundo a Organização mundial da Saúde (OMS), o investimento do Governo, nesta área, chega a uma média de 10,6% do seu orçamento federal. A média mundial, segundo a mesma OMS, é de 11,7%, ao passo que o Brasil se localiza no patamar de 8,7%. Num país em que (dados de 2012) 64% dos leitos hospitalares ficam com a saúde privada contra somente 36% com a pública, já se pode constatar um jogo elitista para o trato com um bem tão precioso como a vida.

 

É fato que a Carta Magna de 1988, também chamada de Constituição Cidadã, trouxe, no seu bojo de conquistas, o Sistema Único de Saúde, um modelo dos mais modernos do mundo que, dentre outros aspectos, contempla a Equidade, Universalidade, Integralidade da Atenção à Saúde, como primordiais na sua estrutura. Entretanto a realidade não condiz com o modelo idealizado.

Assim, não é de se estranhar deparar-se com um quadro perverso se o assunto for saúde. Ultimamente, vive-se uma pseudo-esperança de que o programa Mais Médicos venha reverter tal quadro. Será? Que vão fazer tais profissionais se, no dia a dia, lhes faltam medicamentos básicos para atendimento? Que milagre farão, por mais preparados que sejam, se não há infraestrutura básica em nossos Postos de Atendimento ou mesmo Hospitais? Que milagre fará um profissional de saúde na falta de uma simples dipirona, podendo levar o paciente a convulsionar-se? Que farão se, ante a necessidade de se regular um paciente (transferi-lo para uma unidade mais aparelhada), esbarram numa ambulância sem combustível, numa unidade recebedora lotada?

Há que se repensar a ordem das prioridades no trato com o dinheiro público. Há que se dar à vida o lugar que ela efetivamente merece: as raiais do sagrado.



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