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Após denúncia do MP, 11PMs devem encarar júri popular por sequestro e homicídio de Geovane

(Foto: Reprodução)

“Agiram os acusados de maneira a impedir qualquer ação defensiva da vítima, sendo ela surpreendida, presa e mantida sob a guarda dos denunciados quando então foi subjugada e morta, com a ressalva, de que, de acordo com a perícia, foi ela decapitada quando se encontrava em posição vertical perante o solo, portanto, ajoelhada e humilhada”. Assim a denúncia da promotora Isabel Adelaide Moura descreve a morte de Geovane Mascarenhas de Santana. No total, 11 policiais militares estão denunciados ao Tribunal do Júri pelo assassinato do rapaz, então com 22 anos, em agosto. Caso a denúncia seja aceita, os policiais viram réus ainda pelos crimes de sequestro e roubo - sete deles serão julgados também por ocultação de cadáver. A decapitação de Geovane quando ele estava ajoelhado e humilhado, foi uma das bases para que, no inquérito policial, os 11 PMs fossem também indiciados por crime de tortura - que a promotora descartou. Mesmo assim, a denúncia mostra que a crueldade dos policiais não terminou com a decapitação. Na peça encaminhada ao 1º Tribunal do Júri, a promotora Isabel Adelaide afirma que os PMs acusados estavam todos na sede da Rondesp BTS (Baía de Todos os Santos), no Lobato, “onde ceifaram a vida da vítima, retirando-lhe as mãos, a genitália e a cabeça; e ainda extraíram de seu corpo partes tatuadas para evitar a identificação”. A tecnologia foi decisiva para que os investigadores do DHPP reunissem provas contra os PMs. O GPS das viaturas, mesmo desligado pelos acusados, emitiu sinais a uma central em outro estado e o radiocomunicador portátil (HT) usado pelo soldado Jesimiel, da guarnição que abordou Geovane, na Calçada, também registrava sua localização.  Esses aparelhos foram decisivos para rastrear os passos dos PMs do momento em que o rapaz foi abordado - diante de câmeras de uma residência - até a saída das viaturas para livrarem-se do corpo. Na investigação, os próprios PMs foram flagrados em contradições. No primeiro depoimento, os envolvidos na captura de Geovane - o subtenente Claudio e os soldados Jesimiel e Jailson - disseram ter levado o rapaz e a moto para serem reconhecidos por uma vítima de furto e, como não houve reconhecimento, imediatamente o soltaram. A testemunha desmentiu os PMs: contou que não viu a moto nem a soltura do rapaz. Eles alegaram ainda que não conheciam a vítima, mas as mulheres de Geovane e Jesimiel são primas. Desmascarados pela tecnologia e pelas testemunhas, os PMs estão a caminho do banco dos réus.



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