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Empreendedor precisa ser criativo para enfrentar a crise

Fernando Amoriom | Ag. A TARDE

A crise econômica veio, o momento é de alerta e pede calma. Mas tranquilidade para pensar, para planejar - a melhor estratégia, novas ideias. Afinal, nada vai melhorar se o empreendedor deixar a peteca cair, afirmam os especialistas. Segundo eles, a hora agora está mais para arregaçar as mangas e trabalhar duro do que para desânimo. "Não espere a atividade econômica melhorar. Isso não vai acontecer tão cedo. Concentre-se no que traz retorno relevante e imediato. Reveja contratos, folha de pagamento. Melhore o controle de gastos, tente transformar custos fixos em variáveis, feche unidades deficitárias. Tudo precisa ser analisado e levado em consideração na atual conjuntura", diz o sócio-diretor da Deloitte e especialista em alavancagem de receitas e redução de custos, Ricardo Teixeira. Para o consultor do Sebrae Fabrício Barreto, além de buscar inovar, o empreendedor precisa, nesse momento, realizar um planejamento estratégico "comparando" o mercado, mas também fazer uma espécie de "autoanálise", revendo produto, preço, serviço. Ainda segundo ele, o Sebrae possui "soluções para que o empresário consiga uma margem de contribuição maior (margem de lucro)". "Esse momento estava previsto. Em 2014 houve um estímulo muito forte ao consumo, o crédito foi facilitado, agora veio a recessão. A palavra é planejamento. Estabelecer estratégias, criar soluções atrativas (promoções) para o cliente, melhorar o atendimento", afirma o consultor. Depois de um 2014 "difícil", com Copa do Mundo e eleições, a administradora e sócia da Rots - loja especializada em informática, no Shopping Yemanjá Trade (Rio Vermelho) -, Carla Santos, aposta no "relacionamento corporativo" e na "divulgação boca a boca" para a difícil tarefa de lidar, neste início de 2015, com o dólar na casa dos R$ 3. Segundo ela, a maioria dos produtos e componentes que comercializa - impressora, tablet, scanner, servidor, notebook, "placa-mãe", servidor - são importados e os preços têm oscilado bastante. "Muitas vezes, mando um orçamento para o cliente e, cinco dias depois quando ele retorna com a aprovação da proposta, o dólar já mudou (subiu de preço). Com dez anos no mercado estou atualizando meu cadastro. Envio mala-direta, telefono, mando e-mail, pergunto se precisa de cotação, divulgo boca a boca. Saio vendendo mesmo", conta Carla, para em seguida indagar se repórter precisava de um computador novo. Quando decidiu abrir a Vila Itália Pizzeria, por volta de 2010, Angelo Decanio tinha a grana curta e muita disposição. Ele conta que durante seis meses testou massa e ingredientes até chegar ao produto que queria: uma pizza não muito fina, mas crocante, e com o recheio na medida. E mais: era preciso funcionar apenas como delivery e ter um preço competitivo - tíquete médio em torno de R$ 45. A receita deu certo e a ideia inicial "expandiu" para cerca de cinco mesas na calçada (da Rua Macaúbas, Rio Vermelho) - a pedido dos próprios clientes. Com uma média de 3.500 pizzas vendidas ao mês, Decanio conta que está prevista para o segundo semestre a inauguração de uma filial, no mesmo bairro (na Praia da Paciência) - dessa vez um restaurante mesmo (pizzaria). O leitor deve estar se perguntando, "mas cadê a crise nesse caso?". "A gente sente medo (da recessão), mas o nosso ramo é pouco mais seguro porque é o da alimentação. E a nossa (pizza) ainda é um lazer barato. Tem pizza por aí por R$ 80, R$ 90. Muitas vezes termino ganhando o cliente que está fugindo de preços mais altos", diz ele. "É preciso estar atento às demandas e expectativas do mercado, pensando no futuro. Antecipando tendências e sendo fiel às necessidades dos clientes para fazer frente à concorrência", diz o sócio da consultoria Tiex, Samuel Lopes. (Fábio Bittencourt / A Tarde)



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