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Bahia lidera ranking nacional de homicídios entre crianças e adolescentes em 2023

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

A Bahia, mais uma vez, ocupa posição de destaque negativo em indicadores de violência infantil e juvenil. Dados divulgados referentes ao ano de 2023 revelam um cenário alarmante: o estado lidera o número de homicídios entre adolescentes de 15 a 19 anos e ocupa o terceiro lugar no ranking de assassinatos de crianças de até 4 anos. Na faixa etária de 0 a 4 anos, 14 crianças foram mortas no estado ao longo do ano. Embora atrás do Rio de Janeiro (24 mortes) e de São Paulo (18), a Bahia apresenta uma taxa de homicídios de 1,4 por 100 mil habitantes para essa faixa etária, o que reforça a presença da violência mesmo entre os mais vulneráveis. A situação se agrava entre crianças de 5 a 14 anos. A Bahia lidera o país com 48 homicídios registrados, seguida pelo Rio de Janeiro (33) e São Paulo (30). A taxa de homicídios nesta faixa atinge 2,3 por 100 mil habitantes, revelando um contexto de crianças em idade escolar vítimas de violência armada, negligência e abandono social. Mas é entre adolescentes de 15 a 19 anos que o cenário atinge seu ponto mais crítico. A Bahia registrou 945 assassinatos em 2023, quase o dobro do Rio de Janeiro, que aparece em segundo lugar com 504 mortes. Pernambuco (392), Ceará (347) e Minas Gerais (234) completam os cinco estados com maiores índices. A taxa de homicídios entre adolescentes baianos chega a 83,4 por 100 mil habitantes, número que ultrapassa em mais de oito vezes o limite considerado epidêmico pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que classifica como crítica qualquer taxa acima de 10. Especialistas em segurança pública e direitos da infância alertam que os dados refletem a ausência de políticas públicas efetivas de proteção à juventude, o avanço das facções criminosas em territórios vulneráveis e a falta de investimentos em educação, cultura e oportunidades para jovens em situação de risco. A tendência, segundo analistas, é que esse quadro persista ou até se agrave, caso não haja uma atuação firme e articulada entre governos municipais, estadual e federal. Para muitos, os números não apenas expõem a violência, mas também um processo de naturalização da barbárie em áreas onde o Estado tem falhado em garantir o básico: o direito à vida.



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