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Com dificuldades, lavadeiras artesanais do São Felix resistem e mantêm tradição em Brumado

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

Entre as paredes do antigo prédio, localizado na rua Francisco R. da Silva, no bairro São Felix, um grupo de mulheres resiste levando adiante uma atividade hoje quase esquecida, mas salva no imaginário popular em suas muitas canções e escritos. São as lavadeiras do São Felix - nome pelo qual virou referência entre os moradores de Brumado, a "Capital do Minério". Em meio ao esquecimento, elas resistem. Só que, ao contrário do que dizem algumas pessoas, que lavar roupa é uma agonia, as lavadeiras daqui dizem que não, que é um prazer, como elas mesmas fazem questão de ressaltar a todo momento. E é sinônimo também de bastante trabalho duro, claro, numa luta que vai quase que todos os dias, em longas jornadas entre tanques e ferros de passar. Tudo isso em pé. Ao todo, são cerca de cinco lavadeiras que dividem o espaço, que se não fosse por elas, estaria completamente abandonado. Construído no então Governo de Valdir Pires, o local sempre foi gerido pela administração municipal, e é cedido para que as mulheres continuem trabalhando. Nenhum aluguel é cobrado. Já as despesas, que englobam água e luz, são arcadas pelo município. Para Idália Ribeiro, 69 anos, a tradição resiste a modernidade e para muitas mulheres é um meio de aumentar a renda da casa. "Estou aqui há mais de 30 anos nesse local, e acompanhei o crescimento do bairro e de Brumado. Mesmo com a modernidade, os clientes ainda assim gostam dos nossos trabalhos", destaca Idália. 

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

De acordo com a lavadeira, ao longo desses anos, muitas moradoras já passaram pelo espaço, mas que hoje poucas tem a coragem de enfrentar o processo manual de lavagem. “Tenho clientes que têm máquina, mas que preferem lavar na mão. Uma roupa lavada na mão é muito melhor do que na máquina. Eu detesto máquina, lavo tudo na mão. Hoje eu tenho vários clientes que são de diversos bairros, não só daqui, como Santa Tereza, Centro, das Flores, Jardim Brasil”, conta. Assim como ela, Tânia Borges, aprendeu com a mãe o ofício de lavadeira. “Todo mundo foi criado aqui na lavanderia, arrastando fralda. Sou nascida e criada aqui no São Felix”, conta Tânia, que começou a ajudar a mãe ainda jovem. Aos 42 anos, ela conseguiu os próprios clientes e assumiu também os clientes da mãe, que faleceu após ficar doente. “Comecei a lavar a roupa dela e dos clientes. Infelizmente ela morreu e até hoje eu estou aqui. Ajudei minha mãe, agora tenho as responsabilidades, tenho que pagar as contas. Quem faz nosso salário somos nós”, diz Tânia. Que também lembra que o serviço é árduo, "hoje eu consegui me formar, além disso tenho dois cursos, mas eu não quero deixar essa profissão para minha filha, não por preconceito, mas porque é muito desgastante", afirma a moradora que tem orgulho do que aprendeu com a mãe. “Tem gente que não sabe da profissão de lavadeira. Tem gente que não sabe que tem um lugar tão alegre, tão família, tão aconchegante a todo mundo. Tem cliente que chega aqui e diz que não sabia que a lavanderia existia, muitos moradores do bairro até", destaca Tânia.

 



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