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‘A galinha da macumba incomoda muito mais do que milhares de jovens negros mortos’, afirma Doutor em Direito Hédio da Silva Jr.

Doutor Hédio da Silva Jr. durante a sua sustentação no STF (Foto: Reprodução Youtube 97NEWS)

As discussões sobre o sacrifício de animais em rituais religiosos de religiões com matriz africana que são praticados no Brasil acabaram culminando no Julgamento do STF – Supremo Tribunal Federal, que projetava a proibição desses rituais, que no entendimento de muitos, inclusive de membros da corte, seria carregado de crueldade. Durante o tribunal, que ocorreu no último dia 09, foi dada a oportunidade de sustentação oral a um dos maiores defensores das religiões de matriz africana, Hédio da Silva Jr. o qual é Doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003) e mestre pela mesma instituição desde (2000). Atualmente é diretor executivo no Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, professor na Faculdade Zumbi dos Palmares, advogado dos consulados de Angola em São Paulo e no Rio de Janeiro e assessor científico FAPESP. Atuando principalmente nos seguintes temas: liberdade de crença, direito internacional, ações afirmativas e racismo. Com muita serenidade ele iniciou a sua sustentação utilizando uma sábia ironia que acabou sendo acachapante num enfrentamento aos que são contra a prática do sacrifício de animais, citando que os mesmos estavam utilizando sapatos de couro, fazendo inclusive uma hipotética analogia no campo da psicologia de que ali poderia estar ocorrendo um comportamento esquizofrênico. Após a sua ilustração, Dr. Hédio que representa a União das Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil, aprofundou a sua homilia argumentativa citando que “o Brasil hoje é detentor do maior rebanho bovino do mundo, maior do que o da Índia inclusive, a cada segundo são mortos 180 frangos, um porco e um boi, então, isso é ou não é uma carnificina?” e elevando o tom da sua oratória declarou que “as estatísticas comprovam que milhares de jovens negros são chacinados todos os dias nas periferias das cidades brasileiras, então porque não se busca um aprofundamento das discussões para se encontrar saídas para essa crise sem precedentes em nossa história” e emendou disparando que “fica parecendo que a galinha da macumba incomoda muito mais do que essa questão que é muito grave. Será que a galinha vale muito mais do que milhares de vidas de jovens negros? Isso não passa de um descalabro, é o mesmo que engolir um elefante e se engasgar com um camelo”. O doutor ainda destacou que “religiões como o Judaísmo pratica o sacrifício de animais e ninguém neste país, pelo que se sabe, quer impedir, mas quando existe uma ligação com a raça negra isso incomoda e muito”. O discurso foi considerado, pelos defensores e praticantes das religiões de matriz africana, como histórico na luta jurídica e social pela liberdade de crença, tendo sido escancarado o racismo religioso presente no recurso e o genocídio da juventude negra e, segundo eles, se revelado a hipocrisia por trás da tentativa de criminalizar o abate religioso das religiões afro-brasileiras. O julgamento foi adiado pela ministra Carmen Lucia, após Alexandre Morais pedir vistas ao processo. Não se sabe quando será convocada nova sessão para o prosseguimento da votação. Confira no vídeo abaixo a integra do pronunciamento de Dr. Hédio Jr.: 



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