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Brumado: Brumadense transforma pneus velhos em bacias, chinelos e lixeiras contribuindo também para o meio ambiente

Jorge afirma ter muito orgulho de sua atividade de artesão (Foto: Luciano Santos | 97NEWS)

Transformar pneus velhos em bacias, lixeiras ou até mesmo em lixeiras. Essa é a forma de colocar a comida dentro de casa do brumadense Jorge dos Santos Cardoso, de 25 anos, que é morador do Bairro São Jorge, em Brumado. Ele recolhe pneus velhos e os transforma nesses produtos.  O artesão começou a fazer este trabalho desde criança, aos 10 anos de idade, acompanhando seu pai fazer belos trabalhos com pneus velhos. “Cresci vendo meu pai trabalhar com essa arte há 45 anos, e, naturalmente, aprendi a técnica. Demorei 90 dias para conseguir fazer o primeiro”, afirma. Jorge faz as artes em pneus na casa do seu pai, em um ateliê montado em um cômodo nos fundos da sua residência. Antes ele ajudava seu pai a cortar os pneus e, depois, pintá-lo, mas devido a um problema de saúde, seu pai está hospitalizado e precisa ser transferido para uma UTI em Vitória da Conquista. "Nesse momento uso este espaço para pedir ao poder público que consiga uma transferência para meu pai, pois ele necessita dessa transferência para que seu quadro de saúde não se agrave", pediu Jorge. O jovem também vai ter que passar por uma cirurgia. Em março deste ano, ele retirou uma hérnia, mas como não deu repouso, a cirurgia se abriu e o problema voltou, "não podia parar de trabalhar, com meu pai internado, precisava colocar a comida dentro das duas casas, o médico me pediu repouso de 30 dias, só fiquei 12 dias parado. Não aguentei, e voltei. No momento vou ter que fazer outro procedimento, e ficar parado, mas isso já me preocupa. Quem vai sustentar nossa família?", lamentou. Mas mesmo com a enfermidade do seu pai, e suas dificuldades, Jorge relata que o mais difícil nessa profissão, são as pessoas que ainda discriminam a representativa do artesanato. "Muitas vezes eu estou na rua recolhendo pneus, e as pessoas olham para mim e dão risadas, ou até mesmo nem olham, me ignoram. Mas enquanto eles zombam, eu faço arte e coloco o pão de cada dia em minha casa", desabafou o artista. Com 12 anos de experiência cortando pneus, Jorge diz que continua o que seu pai começou. “O mais complicado é cortar o pneu, antes não tínhamos experiência e nem uma máquina específica. Como o pneu tem um arame, o mais difícil é retirá-lo, para não ficar nenhuma farpa e machucar alguém”, afirma. A matéria prima vem de borracharias e locais que descartam os pneus. E o que era lixo se transforma mais uma vez e ainda ajuda manter a família. “Ajuda no orçamento sim, mas o mais gratificante é pegar um pneu cru, sujo e feio, e transformá-lo em arte”, afirma. O artista disse que os seus maiores clientes são os moradores da zona rural. "Vendo muito para os criadores de gado, eles usam as bacias para colocar ração para os animais". Ainda segundo ele, a média de preços dos produtos variam de R$ 20 a R$ 50. "Aqui eu fabrico bacias, lixeiras, chinelos e caqueiro, a arte é infinita", destacou. Para os interessados em adquirir os produtos do artesão, basta procurá-lo na Rua Santa Rita, 100, no bairro São Jorge, o telefone para contato, (77) 9.9871-0227. Pneus jogados em lugares irregulares são um dos principais criadouros do mosquito da dengue. Além disso, o tempo de degradação de um pneu no meio ambiente é indeterminado. “Isso é o mais importante. Um pneu que poderia ir para o lixo, vira uma obra de arte, ajudando a preservar o meio ambiente e também a dengue. Todos os meus trabalhos eu faço furos para vazar a água e não virar criadouro da dengue”, pontuou.



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