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O drama shakespeariano de Neto: ser ou não ser

Em cada mesa de bar, nas rodas de conversas do Senadinho em frente ao BNB, no acarajé da 9 de novembro e nos corredores de prefeitura e câmara, uma indagação parece triunfar: afinal, o prefeito de Salvador será ou não o oponente do governo petista nas eleições que se avizinham? Mais dúvidas que certezas nas análises que, a depender do locutor e do interlocutor, conduzem a definições que transitam entre o possível, o impossível, o provável, o improvável, e o lunático total. A conjuntura político-eleitoral oferece apenas uma alternativa ao prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto: ser o candidato da oposição e disputar o Palácio de Ondina com um Rui Costa em pleno vigor, uma imagem consolidada por força de vigoroso marketing, um governo coeso e uma bem alinhavada estratégia de assegurar repercussão eleitoral às ações governamentais. Cada entrega de ambulância é, em verdade, uma aliança consolidada. Para o bem e para o mal, resta à oposição ao petismo arcar com o altíssimo custo eleitoral da mais teimosa e temerosa estratégia – da qual o PT, no plano nacional, é também refém: fiar-se no velho personalismo e ver-se, como se vê agora, na dependência de uma decisão de natureza exclusivamente pessoal de um Neto subordinado ao mais retumbante drama shakespeariano: ser ou não ser? Eis a questão. É bastante improvável, embora plenamente possível – como tudo, de resto, em política –, um recuo democrata. O suspense e a excessiva demora na tomada de decisão de Neto – à qual aliados mais apaixonados atribuem acertada estratégia de marketing – parece decorrer, em verdade, de leituras de cenários feitas com os olhos grudados no hoje, no amanhã e no depois de amanhã. Afinal, no hoje, a decisão implica numa atitude sempre dolorosa para quem ocupa o poder: renunciar. Parafraseando Nelson Gonçalves, difícil na política é saber renunciar. “A minha renúncia enche-me a alma e o coração de tédio”. ACM Neto vai renunciar porque precisa disputar – seja para vencer, seja para acumular. Terá que fazê-lo para projetar-se a um eleitorado que o desconhece como pretenso governador. Terá que disputar, sobretudo, porque Neto não é mais Neto e porque, como diria Antoine de Saint-Exupéry, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Neto é a salvaguarda eleitoral, o caminho a seguir de muitos que, sem ele, navegariam num escuríssimo mar de imprecisão eleitoral. Analistas mais apressados – alguns carlistas inclusive – avaliam como temerosa uma disputa eleitoral que se mostra, em tese, desfavorável e que significaria, para Neto, derrota tão retumbante que praticamente o aniquilaria da vida política. Uma leitura francamente amadora vez que, na pior das hipóteses, no caso em tela, mesmo perder ainda é ganhar. Jaques Wagner seria o exemplar mais bem acabado de como uma derrota eleitoral pode significar uma bela vitória no médio prazo. O próprio Neto o sabe. Em 2008, quando disputou a Prefeitura de Salvador, Neto alcançou um modesto terceiro lugar, ficando atrás de João Henrique e de Walter Pinheiro, que disputaram o segundo turno da capital. Embora derrotado, Neto acumulou o suficiente para sagrar-se prefeito vencendo o mesmo Walter Pinheiro quatro anos depois. Numa abordagem bastante elástica, seria possível afirmar que a derrota de 2008 pavimentou a vitória de 2012. Mas a omelete política jamais será feita sem o necessário quebrar dos ovos. Convencendo-se de que há um cenário de curto, médio e longo prazo, vencido o pesadelo da renúncia, restará o enfrentamento, não ainda aos adversários externos, já conformados, mas às adversidades de seu próprio campo de atuação. Terá a seu dispor todo o acervo de disputas partidárias e de personalidades – coisa que o governador Rui Costa também enfrenta, mas em outro nível – e um elenco de nomes para acomodar numa chapa majoritária. Há um esforço, inclusive legítimo do PT – partido para o qual a não-candidatura de Neto é o melhor dos sonhos – em fazer repercutir a tese segundo a qual o prefeito de Salvador já estaria articulando argumentos para evitar um eventual naufrágio eleitoral. Assumir a presidência nacional do DEM e alçar-se à condição de articulador-mor da campanha de Eduardo Maia à presidência da República seria um dos argumentos para fugir da raia. Um novo Dia do Fico, atendendo a reclames do povo soteropolitano, seria outra argumentação para permanência no cargo. No entanto, apesar de francamente possível, uma não- candidatura de Neto é francamente improvável num cenário de bipolaridade e acirramento nos níveis que o Brasil está; seria inclusive inadmitida pelo seu próprio grupo político, que naufragaria ante a ausência de uma chapa majoritária forte para o pleito. A procissão mais recente de aliados pressionando uma decisão do prefeito só reforça a tese de que ele poderia até desejar manter-se no conforto do Palácio Tomé de Souza, mas está compulsoriamente inclinado a marchar pela Bahia.



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