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‘O Joesley é que sabia de tudo’, diz advogado delator

O empresário Joesley Batista | Foto: Estadão

“Vou ter que delatar um advogado e um procurador da República”, disse o advogado Francisco de Assis e Silva, da JBS, durante um almoço, em 23 de abril passado, no sofisticado restaurante Nobu, na Avenida 57, em Nova York. “Você vai virar um whistleblower”, comentou, preocupada, sua filha Vitória Helena, de 20 anos, usando a expressão americana para delator (que significa ‘assoprador de apito’). “Não tem outro jeito”, respondeu o pai. “Cuidado com a sua vida, acidentes acontecem”, alertou a filha. “Foi um dos momentos mais difíceis de todo o drama”, contou Assis e Silva ao Estado, em sua sala de diretor jurídico na sede central da JBS – um complexo logístico de 100 mil metros quadrados e 2,5 mil funcionários, espraiado no número 500 da marginal direita do Tietê. O drama é aquele que abala o Brasil desde 17 de maio, quando veio à luz que o empresário Joesley Batista, patrão do advogado, gravou clandestinamente uma conversa com o presidente Michel Temer, delatando-o à Procuradoria-Geral da República. Seis outros delatores da JBS seguiram a fila – entre eles o pai de Vitória Helena (e de Sofia Helena, de 13 anos), marido da advogada Carla, administradora dos imóveis da família. “Mais de 50, menos de 100”, na contabilidade do advogado bem-sucedido. Carla ouviu sobre a futura delação que abalaria suas vidas durante um jantar, quando ainda moravam na casa própria de 700 metros quadrados, no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, hoje alugada por R$ 15 mil mensais. “Delatar um procurador da República? Você perdeu completamente o juízo!”, estupefez-se, como contou Assis e Silva. “Depois que eu expliquei, ela me deu todo o apoio e disse que se orgulhava de mim”, complementou.



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