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Padre 'metaleiro' tem coleção de caveiras e defende estilo musical

Foto: Reprodução

Quem vê Felipe Augusto Bracher Pasquini, de 36 anos, pela primeira vez rezando missas na Paróquia Santa Catarina de Alexandria, em Tapiraí (SP), não imagina que o padre tem um gosto musical mais pesado, curte filmes de terror e é dono de uma coleção de caveiras. Já na cidade, com pouco mais de 8 mil habitantes, não é segredo que o único sacerdote é “metaleiro”. No Dia Mundial do Rock, comemorado nesta quinta-feira (13), ele revelou ao G1 que tem bandas como Iron Maiden, Pantera e Motörhead na playlist e defendeu o estilo musical, às vezes apontado como “do demônio”. "A escritura nos mostra que podemos aproveitar de tudo um pouco. Só é preciso discernir aquilo que é bom do que é mal. Há shows que eu não vou, há lugares que eu não frequento, pois ao meu estado não me convém. Dependendo da banda, eu participo sem nenhum problema. Não tenho receio do que vão pensar de mim", dispara. O padre conta que cresceu escutando artistas como Creedence, Led Zeppelin e Janis Joplin, por influência do pai - que gostava de blues e rock. Na adolescência, descobriu a banda brasileira fundada pelos irmãos Max e Igor Cavalera na década de 1980: Sepultura. Felipe se perdeu no caminho, conheceu o submundo das drogas, mas há 17 anos abandonou o vício. O lema "sexo, drogas e rock'n'roll" ficou para trás, entretanto, o gosto pelas músicas marcadas por um vocal gutural, guitarras distorcidas e baixos acelerados o seguiu até mesmo depois de entrar para o seminário e ser ordenado padre. "Escutar um som mais pesado é só um estilo, não quer dizer que faço culto satânico ou missa negra em casa. Pelo contrário, tenho capela em casa e rezo minha missa particular. Tem os que são a favor e os contra. Gosto de fazer provocações a quem demoniza tudo, principalmente como se o rock fosse obra do diabo para perverter a juventude." O padre conta ainda que já o abordaram em shows de rock pedindo para tirar fotos. Ele até mesmo já tirou dúvidas pelas redes sociais sobre Deus de pessoas que conheceu nas apresentações. "Gosto de estar no meio, além de curtir o show, um bom som, atendo os que quiserem ajuda. Eu não levo bíblia para evangelizar, não quero converter ninguém, mas se quiserem conversar comigo de forma decente eu acolho numa boa”, afirma o padre. Entre os grupos que costuma ouvir estão Pantokrator, Crimson Moonlight, Oficina G3, Pantera, Motörhead, Sacrificium e até mesmo Iron Maiden, uma das mais consagradas bandas de rock, cujo mascote é o morto-vivo Eddie the Head. Sobre as críticas a canções como “The Number Of The Beast”, Felipe rebate: “São mais contos do que algo exaltando”. “The Number of the Beast, por exemplo, tem a letra tirada da própria escritura. São provocações que vão fazendo, escrevem músicas questionando e criticando um ponto ou outro da igreja. Críticas um pouco fundamentadas, mas a realidade da igreja é bem mais ampla do que simplesmente um ou outro que cometeu erro ou desvio”, pondera.



Comentários

  • Alessandro Sil

    "E pelo visto ele não soube \"discernir\" quais as bandas são apropriadas ou não, se é que se pode dizer assim. O Coitado do padre parece não entender muito quando o assunto é metal, para dizer que ouve Iron Maiden e Motörhead, é, no mínimo estranho."

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