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Atleta paraolímpico livramentense irá participar de provas na Colômbia e no Japão

Provas internacionais serão o grande desafio do atleta Antônio Caíres Anjos (Foto: João de Deus | 97NEWS)

Considerado um dos melhores atletas paraolímpicos do país, Antônio Caíres Anjos, o “Tõe Corredor” é um exemplo de garra e dedicação. Ele que vem tendo ótimas participações na São Silvestre, a corrida de rua mais famosa do Brasil, também vem treinando para maratonas e outras provas. Mostrando uma grande diversidade técnica, “Tôe” está se preparando agora para uma agenda internacional, onde ele irá participar de provas na Colômbia em 2019 e também para o maior desafio de sua carreira que será participar da Paraolimpíada de Tóquio no Japão em 2020. Ele falou ao 97NEWS que a grande barreira encontrada nesse momento é a falta de apoio, o que dificulta muito os seus treinamentos. “Mesmo tendo pouco apoio financeiro e vou me dedicar ao máximo para representar o meu país da melhor forma possível”, citou. Ele também está treinando para a prova dos 100 metros rasos, pois vêm obtendo tempos cada vez melhores, tanto que já tem marcas expressivas que são consideradas as melhores da categoria paraolímpica no Brasil.



Aracatu: Prefeito afastado Sérgio Maia é alvo de denúncia do TCM ao MP

O prefeito afastado de Aracatu, Sérgio Maia tem nova denúncia sobre sua gestão (Foto: Luciano Santos | 97NEWS)

O TCM - Tribunal de Contas dos Municípios deu parecer favorável, nesta quarta-feira (08) a denúncia formulada pelos vereadores de Aracatu, Floresdete dos Santos e Klézio Harly Correia, contra o prefeito afastado Sérgio Silveira Maia (PSD). Segundo o órgão as denúncias são procedentes em razão de irregularidades na contratação da empresa Lopes Serviços Terceirizados, no exercício de 2015. O contrato, que tinha como objeto, a prestação de serviços de limpeza e conservação dos prédios e órgãos que pertencem à Secretaria de Ação Social, que foi fixado no valor de R$487.896,04. A empresa também estaria sendo investigada pela Polícia Federal na operação “Chronos”. O relator do processo, conselheiro Mário Negromonte, comunicou a determinação da representação ao Ministério Público Estadual para total apuração de possível ato de improbidade administrativa e, também, o pronto ressarcimento aos cofres municipais da quantia de R$226.525,68, já que, segundo ele os serviços não foram prestados. Sérgio Maia ainda recebeu uma multa no valor de R$20 mil. Segundo os autores da denúncia, várias escolas do município, as quais estavam na lista de pagamento da empresa Lopes Serviços Terceirizados, estavam fechadas há mais de dois anos. Outra agravante é que funcionários recebiam salários para limpar as referidas unidades escolares, as quais estavam fechadas. O TCM inspecionou 28 unidades escolares do município e comprovou que todas estavam desativadas, além do que o estado de conservação era precário. Outro fator que pode incorrer no agravamento da situação dos envolvidos é que os processos de pagamentos foram enviados ao órgão sem a devida identificação dos funcionários, ou seja, os mesmos podem ter sido “fantasmas”. Existe outro processo em valor bem maior, cerca de R$ 1,5 milhão, que está em corrente investigação da Polícia Federal que podem incorrer em um maior dano ao erário. Ainda cabe recurso da decisão.  



Apertando o Cerco: Bens do prefeito de Guajerú são bloqueados pela Justiça Federal

O prefeito Gil Rocha teve a indisponibilidade de bens decretada pela Justiça Federal (Foto: 97NEWS Conteúdo)

O juiz federal Stief Marmund foi autor de uma medida liminar que decretou a indisponibilidade de bens do prefeito de Guajeru, Gilmar Rocha Cangussu (PDT) e concomitantemente do ex-vice-prefeito de cidade de Malhada de Pedras, Adriano Reis Paca (PP), como também da sua empresa, a Transportadora Paca Ltda. O objetivo é assegurar o ressarcimento dos danos causados ao erário público e também a restituição de bens e valores que poderiam ter sido adquiridos de forma ilícita como teria sido constatado nos autos, os quais, mostram, no entendimento da Justiça, que a Transportadora Paca venceu o Pregão Presencial nº 005/2015, no valor global de R$ 1.934.671,42, para prestação realizar o Transporte Escolar do referido município. Além disso, o contrato teve aditivos e prorrogação com reajustes em torno dos 10%, o que teria ferido os termos do contrato inicial, sendo que o valor do montante é de R$ 953.440,18. O juiz, todavia, interpretou que os valores apontados pelo MPF estão em consonância com o dano ao erário e/ou enriquecimento ilícito supostamente decorrentes dos fatos apurados na ação e podem ser adotados como sustentação para a decretação de indisponibilidade de bens dos requeridos. “Em face do exposto, decreto, com fundamento no art. 7º, da Lei 8.429/92, a indisponibilidade de bens dos requeridos até o limite de R$ 85.809,61”, foi o comunicado feito pelo referido magistrado. Buscamos, assim como outros veículos de comunicação da região, entrar em contato com o prefeito Gil Rocha e o ex-vice-prefeito de Malhada de Pedras, Adriano Paca, mas não obtivemos sucesso.



Empresa é condenada a pagar R$ 175 mil por não fazer exames em funcionários

Foto: Reprodução

Uma empresa que presta serviços de segurança, em Salvador, foi condenada a R$ 175 mil por dano moral coletivo por não realizar exames periódicos anuais nos funcionários. A decisão, que havia sido tomada inicialmente pela 32ª Vara do Trabalho de Salvador, foi reformada pela 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT5-BA), que ainda aumentou o valor da indenização, fixado inicialmente em R$ 30 mil. A Map Serviços de Segurança teve o valor da pena alterado após uma ação do Sindicato das Empresas de Segurança e Vigilância do Estado da Bahia, que alegou que R$ 30 mil não iria cobrir o caráter pedagógico e reparatório da pena. Segundo o Sindicato, seria mais viável para a empresa lesar a saúde dos 600 trabalhadores e quitar uma indenização de baixo valor, ao invés de arcar com os custos anuais dos exames, que giram em torno de R$ 120 mil. O valor da multa deve ser revertido e dividido igualmente entre os trabalhadores. A empresa ainda pode recorrer da decisão.



Dom Basílio: Funcionários da limpeza pública dizem que estão com salários atrasados; empresa esclarece

A população está temendo que a coleta de lixo venha a ser interrompida na cidade (Foto: Luciano Santos | 97NEWS)

Os funcionários da empresa Translixo que é responsável pela limpeza pública do município de Dom Basílio, - que fica na entrada da Chapada Diamantina via BA-148 --, entraram em contato com o 97NEWS para comunicar que estão há 2 meses com os salários atrasados. Segundo eles até o mês de maio os salários estavam sendo pagos normalmente, mas, agora já no mês de agosto, vai se completar 60 dias de atraso. Buscando esclarecer os fatos entramos em contato com a direção da empresa que informou que “realmente o salário do mês de junho está atrasado, mas isso não é culpa da prefeita e sim de entraves burocráticos de nossa empresa”. Ainda foi comunicado que “hoje mesmo teremos uma reunião com os funcionários para informar que vamos quitar o mês de junho com recursos próprios da empresa, mas o do mês de julho ainda não está atrasado, pois temos até o próximo dia 10 para pagar, por isso já estamos resolvendo esses entraves para que tudo seja devidamente normalizado”.
 



FIOL tem aprovação por parte da ANTT dos estudos de viabilidade técnica e econômica

A conclusão das obras da FIOL é muito esperada (Foto: 97NEWS Conteúdo)

A Fiol, que passou a ser chamada Ferrovia Engenheiro Vasco Azevedo Netoestá com as negociações em pleno andamento e rumo à finalização da sua construção da no território baiano. Isso porque, neste dia 07 de agosto, foi publicado na edição 151 do Diário Oficial da União o despacho com a aprovação pela ANTT de todos os estudos técnicos e de viabilidade econômica da ferrovia para fins de abertura de audiências públicas. Essa é a etapa final para que o trecho do Lote 4, do qual Brumado faz parte, possa ser terminado. Já há empresas chinesas interessadas e aguardando a abertura do edital para apresentação de propostas. A previsão é que ainda neste ano de 2018 o impasse esteja resolvido para que as obras possam ser iniciadas.



Brumado: Centenas de fiéis renderam graças ao 'Bom Jesus' na missa campal

Confirmemo-nos na fé e tenhamos os olhos fixos em Jesus, pede a igreja (Foto: Luciano Santos l 97NEWS)

A comunidade católica de Brumado encerrou, nesta segunda-feira (6), a festa em louvor ao Bom Jesus, que começou no dia 28 de julho. Antes do amanhecer, uma alvorada com queima de fogos iniciava as homenagens ao padroeiro da cidade, devoção que teve origem ainda na década de 1960. Mais tarde, a Missa Solene, realizada na Praça Capitão Francisco de Souza Meira (Praça da Matriz), contou com a presença de centenas de católicos. A celebração foi presidida pelo padre Cleonídio Alves da Silva. Na homilia, em referência à festividade da Transfiguração do Senhor, o administrador diocesano pediu à comunidade para que, diante do contexto atual, “confirmemo-nos na fé e tenhamos os olhos fixos em Jesus. Não nos dispersemos neste momento e nem fiquemos inimigos em nome da democracia. É em Jesus que nós depositamos nossa confiança e é por causa dele que vamos fazer tudo isso, passando por esse momento em que vivemos, sem perder de vista aquilo que nos é importante”, destacou. 

A procissão percorreu algumas ruas da cidade (Foto: Luciano Santos l 97NEWS)

A tradicional procissão com a imagem do Bom Jesus, antes da celebração, percorreu algumas ruas da cidade. Uma multidão de fieis, movidos pela fé e pela devoção, louvavam ao Santo padroeiro, através de cantos e orações. Ao final da celebração, o padre Cleonídio agradeceu a todos que contribuíram para a realização da festa. “Percebemos um trabalho bem organizado e muito bem planejado, e quando se trabalha assim temos uma participação criativa e de massa como percebemos na novena e na festa”, disse o pároco. “Queremos destacar aqui, o acolhimento aos visitantes, a participação das comunidades e grupos, a divisão dos trabalhos e integração das equipes, as reflexões muito profundas e significativas e a animação do povo de Brumado, que cada ano fortalece a festa do Bom Jesus”, concluiu. A festa deste ano teve como tema “Itinerário da iniciação à vida cristã”. A concretização de uma verdadeira Iniciação à Vida Cristã, é “um processo de inspiração catecumenal”, recuperando a mística que vem da experiência catecumenal da Igreja primitiva, tornando-a inspiração para desencadear um verdadeiro processo de educação da fé nos nossos tempos de mudança de época.

Foto: Luciano Santos l 97NEWS


Brumado: Guarda Municipal afirma estar sendo perseguido; direção nega e diz ‘ele é que tem um histórico muito complicado’

Segundo o denunciante devido aos seus pés inchados ele não pode usar o coturno (Foto: 97NEWS Conteúdo)

Uma denúncia apresentada ao 97NEWS feita por um guarda municipal lotado no município de Brumado começa a se transformar numa polêmica, já que o mesmo afirma estar sendo perseguido, enquanto a direção do órgão nega as acusações. O autor da denúncia é o GCM Ivanilson dos Santos Muniz (32) que relatou que “estou com meus 2 pés muito inchados, tanto que fui à UBS do Olhos d´Água e fui informado que meu caso era sério e, por isso, me mandaram para o Hospital, chegando lá a médica me atendeu e me passou um remédio, mas se recusou a me dar um atestado médico”. Ele ainda narrou que “busquei o apoio da GCM, mas não há diálogo, então, diante disso eu posso afirmar que está existindo uma grande perseguição, tanto que vou entrar com representação no Ministério Público para que essa minha situação seja resolvida, porque está provado que não posso usar coturno por causa do inchaço nos pés, mas eles me responderam que, por isso, não posso trabalhar no meio de gente e me mandaram para um local isolado”.

O diretor da GCM de Brumado, Jussimar Santos deu a sua versão (Foto: Luciano Santos | 97NEWS)

Visando buscar esclarecer a situação, ouvimos o diretor da GCM, Jussimar Santos, o qual, logo de início expressou que “infelizmente esse guarda tem um histórico muito complicado, tanto que temos relatórios e relatórios para provar isso. Ele foi para uma empresa de segurança privada e acabou sendo mandado embora, pois criou vários empecilhos”. Ele ainda argumentou que “como ele tem esse problema permanente de inchaço nos pés, o que é comprovado por um relatório médico, nós reconhecemos isso, mas como ele não poderia usar o coturno enviamos ele para fazer a segurança no Ginásio de Esportes no período noturno, mas mesmo assim continuou dando muito trabalho, e, agora, inventou a história de uma prova que tinha que fazer e vem faltando muito no trabalho, ainda que acabamos comprovando que ele estava indo para casa e não fazer a prova que falou”. E finalizou de forma mais rígida ao dizer que “sabemos que ele tem o amparo da lei, mas não pode usar isso para não trabalhar, então, agora diante do agravamento desta situação teremos que abrir um processo administrativo contra ele”.



Empresário é preso por aplicar golpes de mais de R$ 100 mil com ofertas de produtos que seriam adquiridos em leilões

Foto: Polícia Civil / Divulgação

O empresário Rodrigo Soares Gois, proprietário da empresa Sirigueijo Delivery, foi preso por aplicar golpes de mais de R$ 100 mil. Ele foi apresentado pela Polícia Civil na segunda-feira (6) e vai responder por crime de estelionato. De acordo com a Polícia Civil, Rodrigo oferecia a clientes aparelhos eletrônicos, como celulares e computadores, a preços mais baratos que o de mercado. Os produtos, segundo ele, eram arrematados em leilões da Receita Federal. O empresário alegava aos clientes que conhecia um funcionário da Receita que facilitava o acesso aos produtos. Após fechar o negócio, ele recebia o pagamento, no entanto, não entregava os produtos aos compradores. A denúncia foi feita à Delegacia de Repressão a Furtos de Roubos (DRFR) por cinco médicas que depositaram cerca de R$ 10 mil na conta de Rodrigo para a compra de telefones celulares mas, após esperarem cerca de três meses, não receberam os aparelhos. Após a denúncia, a polícia descobriu, por meio de investigações, que o empresário aplicava o mesmo golpe desde 2012 e já havia feito mais de 20 vítimas. Além de equipamentos eletrônicos, ele também chegou a comercializar terrenos, sob a mesma alegação de que seria adquirido em leilões. Ainda segundo a polícia, para escapar dos clientes, Rodrigo mudava constantemente de endereço, de número de telefone e de carro. 



1ª Campanha eleitoral moderna do Brasil

(Foto: Arquivo Agência Senado)

É na semana que vem que os candidatos à sucessão do presidente Michel Temer, na eleição de outubro, começam a viajar pelo Brasil pedindo votos. Não era assim nos primórdios da República. Dos quatro primeiros presidentes eleitos pelo voto popular, nenhum se deu ao trabalho de fazer campanha. Prudente de Moraes, Campos Salles, Rodrigues Alves e Affonso Penna não precisaram se esforçar porque seus nomes haviam sido escolhidos previamente pela classe política, num conchavo de bastidores. Foram candidatos únicos e suas vitórias nas urnas, mais do que previsíveis. A situação só mudaria no 20º aniversário da República. Na virada de 1909 para 1910, o Brasil assistiu à primeira corrida presidencial moderna, com um candidato desafiando o presidenciável oficial e se mexendo para conquistar os votantes. Quem chacoalhou o país foi o advogado e senador Ruy Barbosa (BA). Tentando derrotar o marechal Hermes da Fonseca na disputa pelo Palácio do Catete, Ruy fez corpo a corpo com eleitores, participou de passeatas, distribuiu broches com sua foto, discursou em meetings (como se chamavam os comícios), proferiu ataques contra o adversário.

Papéis históricos guardados no Arquivo do Senado, em Brasília, contêm muitos dos discursos feitos tanto pelo senador candidato quanto por seus aliados e oponentes.

— É a primeira vez que, de fato, em uma eleição presidencial existe a contenda, e o escrutínio assume a forma precisa de um pleito — resumiu Ruy na tribuna do Palácio Conde dos Arcos, a primeira sede do Senado, no Rio de Janeiro.

Na pioneira excursão eleitoral do Brasil, o candidato passou por 50 cidades em três meses. Em janeiro de 1910, ele visitou Salvador, sua terra natal. No palco de um teatro, lamentou que a viagem do Rio à capital baiana tivesse sido feita em navio para logo em seguida dizer que, sendo eleito, construiria uma linha de trens entre as duas cidades. 

Diante da multidão no teatro, Ruy continuou com as promessas garantindo que jamais interviria nos tribunais, decretaria estado de sítio ou manipularia o resultado de qualquer eleição.

— Os exemplos indicados sobram para vos definir o espírito de moralidade, legalidade e justiça que, com o auxílio de Deus, caracterizaria a minha administração — assegurou.

De acordo com os jornais, a plateia soteropolitana reagiu com “estrepitosos aplausos e bravos”, as “senhoras dos camarotes” acenaram com lenços e o palco foi “juncado de flores”.

A engrenagem que moveu quase toda a Primeira República (1889-1930) foi a Política dos Governadores. Por meio dela, a escolha do presidente cabia às elites dos estados mais poderosos — São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O candidato oficial entrava sozinho no páreo. Pedir voto era perda de tempo, já que o referendo das urnas viria de qualquer jeito.

O presidente eleito, em retribuição, jamais se intrometia nas brigas políticas locais, permitindo que os governadores e seus aliados reinassem tranquilamente e se perpetuassem no poder.

Em 1909, contudo, as oligarquias estaduais se estranharam, e a Política dos Governadores sofreu um abalo. Minas Gerais e Rio Grande do Sul escolheram para presidente o ministro da Guerra, marechal Hermes da Fonseca. São Paulo recusou-se a encampar a candidatura.

Os caciques paulistas temiam que Hermes, por ser do Exército e não fazer parte do esquema político, em algum momento ordenasse uma intervenção federal em São Paulo e tirasse o protagonismo do estado na Política dos Governadores.

Hermes era sobrinho do marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do Brasil.

A engrenagem que moveu quase toda a Primeira República (1889-1930) foi a Política dos Governadores. Por meio dela, a escolha do presidente cabia às elites dos estados mais poderosos — São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O candidato oficial entrava sozinho no páreo. Pedir voto era perda de tempo, já que o referendo das urnas viria de qualquer jeito.

O presidente eleito, em retribuição, jamais se intrometia nas brigas políticas locais, permitindo que os governadores e seus aliados reinassem tranquilamente e se perpetuassem no poder.

Em 1909, contudo, as oligarquias estaduais se estranharam, e a Política dos Governadores sofreu um abalo. Minas Gerais e Rio Grande do Sul escolheram para presidente o ministro da Guerra, marechal Hermes da Fonseca. São Paulo recusou-se a encampar a candidatura.

Os caciques paulistas temiam que Hermes, por ser do Exército e não fazer parte do esquema político, em algum momento ordenasse uma intervenção federal em São Paulo e tirasse o protagonismo do estado na Política dos Governadores.

Hermes era sobrinho do marechal Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do Brasil.

Os dois lados se enfrentaram na tribuna do Senado em diversas ocasiões. O senador Alfredo Ellis (SP) criticou o marechal:

— Prefiro e preferirei sempre um candidato civil. Os militares são uma classe nobre, não se contesta, mas não têm a educação necessária nem o preparo para a administração de uma grande nação como o Brasil.

Em resposta, o senador Antônio Azeredo (MT) lembrou que foi numa convenção realizada justamente no Senado, meses antes, que deputados e senadores, orientados pelos governadores, escolheram o candidato do establishment:

— Dentro desta Casa, os que aqui estavam e proclamaram a candidatura Hermes não viram um militar fardado. Candidatura militar seria se ela tivesse vindo dos quartéis. E quem poderá negar o prestígio e o republicanismo do marechal?

Ruy tratava de desconstruir a imagem de Hermes. Num dos meetings, chamou-o de bronco:

— O meu competidor tem sido até agora homem exclusivamente de sua classe, militar dado só e só aos misteres da sua profissão. Ninguém sabia que tivesse ideias políticas. Ou, não as tendo revelado nunca, ninguém podia saber quais fossem.

De volta ao Rio após a turnê paulista, o deslocamento do candidato entre a Estação Central do Brasil, no centro, e seu palacete, em Botafogo, acabou se transformando numa festiva carreata. Por três horas, o candidato acenou de dentro da carruagem para as pessoas que pararam nas ruas da capital do país para gritar “viva” ao senador baiano e “morra” ao marechal.

O militar, por sua vez, teve grande apoio da imprensa, que pegou pesado nas caricaturas de Ruy, retratando-o como um aristocrata incapaz de falar a língua do povo e alheio aos reais problemas do país.

— Ele foi criticado por simplesmente fazer campanha. Para os conservadores, era um ato de demagogia e uma vergonha que um político se jogasse nos braços do povo, da “patuleia”, para pedir votos — afirma o cientista político Christian Lynch, da Fundação Casa de Rui Barbosa e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

A dedicação de Ruy à sua Campanha Civilista se torna uma proeza ainda maior quando se leva em conta que, àquela altura, ele tinha 60 anos — um ancião para os padrões do início do século passado.

O historiador Antonio Barbosa, professor da Universidade de Brasília (UnB) e consultor legislativo aposentado do Senado, diz:

— O Brasil começava a se urbanizar, e a classe média que surgia nas cidades foi bastante receptiva ao discurso civilista. Os comícios de Ruy Barbosa empolgavam. Quem via de fora, sem conhecer as engrenagens da Primeira República, achava que ele tinha tudo para vencer.

Apesar de todo o esforço, Ruy foi derrotado. Oficialmente, ele obteve 223 mil votos. Foi um número expressivo, porém insuficiente diante dos 404 mil votos do marechal.

A derrota já era esperada, uma vez que o senador só contava com o apoio de São Paulo e da Bahia. Hermes, por sua vez, era sustentado por todos os demais governadores, que, para garantir-lhe a vitória, abusaram das fraudes nas urnas e da repressão policial ao civilismo. Fiel ao estilo da Primeira República, o marechal nem fez campanha.

— Bem poucas ilusões desde o começo podíamos nutrir — disse Ruy, num discurso no Senado após a derrota. — Apesar de tal ser o destino imediato da nossa causa, não a podemos desamparar. Quando praticamos uma ação boa, não sabemos se é para hoje ou para quando. O caso é que os seus frutos podem ser tardios, mas são certos. Uns plantam a semente da couve para o prato de amanhã. Outros, a semente do carvalho para o abrigo ao futuro. Aqueles cavam para si mesmos. Estes lavram para o seu país, para a felicidade dos seus descendentes, para o benefício do gênero humano.

Tal e qual Ruy profetizara, Hermes foi um presidente violento. Seu governo foi marcado por um implacável estado de sítio, pela execução dos rebeldes da Revolta da Chibata e pela intervenção federal em diversos estados, com a destituição de governadores e o bombardeio de Salvador.

Em 1973, o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveria uma crônica lembrando que, menino, acompanhou de longe a quixotesca campanha de Ruy:

“Na derrota, ele cresceu ainda mais. De 1910 a 1914, o Brasil teve dois presidentes: um de fato e outro de consciência, entre seus livros e papéis da Rua São Clemente [onde Ruy vivia], e daí para a tribuna do Senado ou perante o Supremo Tribunal Federal, postulando, verberando, exigindo o cumprimento da lei. Esta a imagem de Ruy guardada por uma criança mineira. Surgirá outra assim, adaptada às condições do nosso tempo?”

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