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Caetité: Disputa por ativos da Bamin envolve ferrovia, porto e interesse estratégico em urânio na Bahia

Foto: Divulgação

A possível transferência dos ativos da Bahia Mineração (Bamin) avança como uma operação de grande complexidade, envolvendo infraestrutura logística, exploração mineral e interesses geopolíticos. No centro das negociações está a empresa portuguesa Mota-Engil, que pode assumir o controle de ativos estratégicos no estado da Bahia. A etapa mais visível do processo inclui a negociação para aquisição da reserva de minério de ferro localizada em Caetité, além da concessão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e da licença para construção de um porto em Ilhéus. Esses ativos formam um corredor logístico estratégico voltado ao escoamento de minério, com potencial de impacto relevante na economia regional. No entanto, especialistas apontam que a operação possui uma dimensão menos evidente. Parte desse contexto envolve a atuação da China Communications Construction Company (CCCC), que detém cerca de um terço do capital da Mota-Engil. Essa participação levanta a hipótese de que os ativos da Bamin possam representar uma porta de entrada para o acesso a recursos minerais estratégicos no Brasil. Um dos pontos centrais dessa análise está no complexo geológico de Caetité. Na mesma região onde se encontram as reservas de ferro, está localizada a segunda maior jazida de urânio do país — e a única atualmente em operação. Estimativas indicam um volume próximo de 90 mil toneladas já identificadas, com potencial suficiente para abastecer uma usina do porte de Usina Nuclear Angra 2 por mais de sete séculos. A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) já sinalizou interesse em estabelecer parcerias com a iniciativa privada para ampliar a exploração de urânio na região. Apesar disso, o setor permanece sob rígido controle estatal. A Constituição Federal, em seu artigo 177, e a Lei nº 4.118/1962 garantem o monopólio da União sobre minerais nucleares. Uma mudança relevante ocorreu em 2022, com a sanção da Lei nº 14.514, que passou a permitir a participação de investidores privados, desde que vinculados a associações com a INB. Na prática, isso abre espaço para estruturas societárias que conciliem capital privado e controle estatal. Nesse cenário, caso a negociação dos ativos da Bamin — atualmente sob controle do grupo Eurasian Resources Group — seja concluída, a presença indireta da CCCC pode posicionar o capital estrangeiro em uma condição estratégica para futuras parcerias no setor nuclear. A evolução dessas tratativas deverá ser acompanhada com atenção por autoridades e pelo mercado, diante do potencial impacto não apenas econômico, mas também energético e geopolítico.



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