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Abate de jumentos ameaça espécie no Brasil; Bahia concentra maior número de frigoríficos

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) revelam que cerca de 248 mil jumentos foram abatidos no Brasil entre 2018 e 2024, com destaque para a Bahia, estado que concentra três frigoríficos autorizados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) para realizar esse tipo de atividade. O abate em larga escala coloca a espécie em risco de extinção. A principal demanda por jumentos vem da indústria chinesa de ejiao, um produto tradicional asiático, fabricado a partir do colágeno extraído da pele dos animais e comercializado como suplemento para aumento da vitalidade e benefícios à saúde. Segundo registros oficiais, o Brasil perdeu 94% da população de jumentos nos últimos 30 anos. Desde 2019, decisões judiciais chegaram a suspender temporariamente a atividade, atendendo a ações movidas por organizações de defesa animal. As entidades argumentam que os animais são submetidos a maus-tratos e que o ritmo acelerado de abate ultrapassa a capacidade natural de reprodução da espécie, o que pode levar ao desaparecimento definitivo desses animais no país. Atualmente, tramitam dois projetos de lei que visam proibir o abate de jumentos no Brasil: o PL nº 2.387/2022, em análise no Congresso Nacional, que já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, e o PL nº 24.465/2022, que segue aguardando votação no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia, após aprovação na CCJ estadual. Organizações de proteção animal e pesquisadores alertam para a urgência de medidas que garantam a preservação dos jumentos, tradicionalmente associados ao trabalho rural e à história cultural brasileira, mas que hoje enfrentam um cenário de ameaça severa de extinção.



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