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Funcionária da Prefeitura de Itapetinga e irmão movimentaram R$ 97 milhões em esquema investigado pela PF

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

Uma funcionária da Prefeitura de Itapetinga, no sudoeste da Bahia, e seu irmão estão no centro de um dos maiores esquemas de desvio de verbas públicas já identificados no estado. De acordo com relatório da Polícia Federal (PF), obtido durante a Operação Dia Zero, Barbra Wailes Sá e Allan Wailes de Holanda Cavalcanti movimentaram, juntos, cerca de R$ 97,2 milhões entre 2013 e 2020 -- um montante considerado totalmente incompatível com os rendimentos declarados pela servidora, cujo salário mensal é de apenas R$ 3,3 mil. Segundo as investigações, Barbra figura como sócia da empresa Medical Solutions, apontada como intermediária no esquema de desvio de recursos do Instituto Nacional de Tecnologia em Saúde (INTS). A PF identificou que aproximadamente R$ 23 milhões foram operados em dinheiro vivo, o que é interpretado pelos investigadores como um forte indício de pagamento de propina e tentativa deliberada de dificultar o rastreamento das transações. O relatório detalha a existência de um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, que envolvia desde a emissão de notas fiscais frias -- sem a correspondente prestação de serviços -- até transferências financeiras entre empresas controladas ou ligadas aos investigados. Parte dos valores também teria sido repassada a contas de familiares, incluindo a própria Barbra, que, apesar da função pública, apresentava movimentações milionárias em suas contas bancárias. Além de saques em espécie, os suspeitos teriam recorrido a aplicações financeiras complexas e à aquisição de bens de alto valor, como forma de ocultar a origem ilícita dos recursos. A Operação Dia Zero, deflagrada pela Polícia Federal, visa desarticular uma rede de corrupção que teria se aproveitado de contratos na área da saúde. Segundo os investigadores, o volume de recursos desviados pelo núcleo de Itapetinga se destaca mesmo quando comparado a outros escândalos recentes envolvendo o setor no estado. O caso segue sob investigação. Até o momento, não há confirmação oficial sobre prisões ou bloqueios de bens relacionados aos envolvidos.



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