A identificação foi feita pela Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon), que analisou vídeos enviados por testemunhas e traçou a trajetória do corpo celeste. De acordo com a entidade, o objeto percorreu cerca de 1.500 km em apenas quatro minutos, atingindo velocidades entre 6 e 7 km por segundo. “O objeto mais compatível é o corpo do foguete Falcon 9, que permaneceu em órbita como lixo espacial desde 2014”, informou a Bramon em nota. Os avistamentos se concentraram especialmente no Norte de Minas Gerais, com registros em cidades como Montes Claros, Araçuaí, Capelinha e Itamarandiba. Também houve relatos de visualização na Bahia e até no Distrito Federal. O astrônomo Renato Las Casas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explicou que a hipótese de meteoro foi descartada por causa da baixa velocidade do objeto. “Sobrou apenas a possibilidade de ser lixo espacial, que entra na atmosfera mais devagar e se incendeia pelo atrito”, esclareceu. Segundo Las Casas, o termo “lixo espacial” abrange desde satélites fora de operação até ferramentas esquecidas por astronautas. Nesse caso, o brilho e a intensidade do fenômeno indicam que se tratava de um objeto relativamente grande. O Falcon 9 avistado foi utilizado em 2014 para lançar o satélite de comunicação AsiaSat 8. Após cumprir sua missão, o estágio descartado ficou vagando pelo espaço até ser atraído novamente pela gravidade da Terra. Embora espetaculares, reentradas como essa não são incomuns. A Bramon reforça que o evento é um lembrete do problema crescente representado pelo lixo espacial, milhares de fragmentos e equipamentos desativados que orbitam o planeta sem controle. A expectativa é que todos os fragmentos tenham se desintegrado ao entrar na atmosfera, sem causar danos. Ainda assim, o episódio reacende o debate sobre a necessidade de estratégias globais para lidar com o acúmulo de detritos no espaço.
'Bola de fogo' no céu de Minas Gerais era lixo espacial de foguete lançado há 10 anos
Foto: Reprodução






















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