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Aracatu: Agricultor tenta provar a Receita Federal e a Justiça do Trabalho que não abriu empresa em seu nome

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

Edivaldo de Jesus Silva, 52 anos, é agricultor da zona rural de Aracatu, Sudoeste baiano, distante cerca de 565 km da capital Salvador. Há cerca de um ano, ele tenta provar a Receita Federal e a Justiça do Trabalho que não abriu uma empresa de edificações. Seu nome está no sistema do governo referente à dívidas trabalhistas, e a justiça mandou penhorar seus bens. A empresa G. Barros Locações e Serviços Eireli - ME foi aberta em 2015 e possui endereço em um prédio localizado na Avenida Tancredo Neves, Torre B, Sala 805, Bairro Caminho das Árvores, na cidade de Salvador. Em entrevista ao 97NEWS, o agricultor relatou que descobriu a fraude quando começou a receber cobranças da Receita Federal. "Eu nunca sai da minha roça para abrir uma empresa na capital, nem conheço a cidade, porque o que eu faço é trabalhar na roça, vivo de agricultura e tenho uma vida sofrida, não tenho dinheiro", relata o agricultor que mora na Fazenda Riachão, zona rural de Aracatu.

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

A reportagem do 97NEWS teve acesso aos documentos os quais mostram que a empresa foi aberta em seu nome. Sem condições financeiras, ele busca por uma ajuda para provar à justiça que foi vítima de um golpe. "Trabalho de sol a sol e minha vida é humilde, mas não tenho dinheiro para pagar um advogado, a justiça manda cartas de cobrança todo mês, corro o risco de ser preso injustamente por algo que não fiz", disse. Por conta da ação, Edivaldo perdeu alguns benefícios do governo como o Programa Garantia Safra e o Bolsa Família. Além disso, seu nome está negativado e sua casa na zona rural poderá ser penhorada na justiça. "Peço a ajuda de um advogado, a gente não tem condições, quem quiser pode ir na minha rocinha, é tudo humilde, minhas mãos calejadas mostram pra você o que sou no dia a dia", relata o agricultor que precisa ir até a capital baiana para ser ouvido em uma audiência com a justiça no próximo dia 15 de agosto.

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

A esposa de Edivaldo, Ana Silva, 46 anos, disse que dois Boletins de Ocorrência foram feitos na Polícia Civil, mas o caso continua sem uma solução. "A gente tentou por diversas vezes informar a Receita que meu marido não tinha aberto empresa, e a moça que nos atendeu dava baixa no sistema, mas nos meses seguintes a gente voltava a receber cobranças. Até que um dia voltei lá novamente na Receita e pedi socorro aos funcionários. Eles então me disseram para registrar o boletim e buscar por um advogado", diz. Ela até que tentou, conseguiu a ajuda de uma advogada, mas como caso era mais complexo, a profissional lhe orientou buscar por um outro advogado que atuasse na área. "A empresa aparece agora como encerrada, mas as dívidas estão ai, e a gente não tem como pagar, porque não foi meu marido quem fez isso, e a gente precisa provar pra justiça. O 97NEWS fez uma busca no site da Receita, portal que reúne dados de milhões de empresas. O nome de Edivaldo consta como sócio desde 06 de março de 2015. No entanto, em 02 de dezembro de 2022, a empresa foi encerrada.



Comentários

  • Maria Eugênia Rezende Vieira

    "Provavelmente deve se tratar de um caso de homônimo, no caso o referido senhor poderá obter ajuda no sindicato de trabalhadores rural ou núcleo de prática jurídica que faça ações de Direito do Trabalho."

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