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Segundo SSP: 80% dos bandidos mais perigosos da Bahia atuam no interior

As cartas do Baralho do Crime, ferramenta da SSP-BA que ajuda a localizar bandidos foragidos (Foto: Amana Dultra/Arquivo CORREIO)

Oito em cada dez bandidos listados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) como os mais perigosos da Bahia atuam no interior. O levantamento foi realizado com base no Baralho do Crime, ferramenta do governo que reúne os 52 homens e mulheres mais violentos do estado. A maioria é procurada por envolvimento em homicídios e com o tráfico de drogas. Na semana passada, a SSP-BA anunciou a atualização de 11 das 52 cartas. Feira de Santana lidera a lista dos municípios interioranos com o maior número de bandidos de alta periculosidade. São cinco procurados. A cidade fica atrás apenas de Salvador, com 10. Feira é seguida por Candeias (4), Jequié (4), Teixeira de Freitas (3) e Vitória da Conquista (3). O Baralho do Crime foi criado para estimular a população a ajudar a polícia na busca dos criminosos mais procurados pela polícia. Ele é atualizado conforme as prisões e mortes dos integrantes da lista. A maior presença dos criminosos no interior do estado é explicada pelo professor do curso de Direito da FTC, Leandro Vargas, como um transbordamento e transferência da criminalidade. A presença da polícia na capital e grandes metrópoles afasta, de acordo com ele, os criminosos e as organizações para o interior.  "Nos municípios maiores, a polícia tem maior nível de investigação e policiamento ostensivo. Isso acaba tirando as pessoas que cometem delitos da zona de conforto. A tendência é que eles comecem a fazer essa transferência, essa ida aos interiores porque lá a polícia é menos equipada, tem um sistema de segurança menos atuante", disse. O professor ainda destacou que a tecnologia auxilia os criminosos em dar ordem de comando de qualquer lugar. "Eles não precisam estar próximos da rede criminosa para dar ordens. Hoje, com a internet, eles conseguem fazer a dinâmica antiga de coordenar a organização mesmo de longe. Agora eles conseguem monitorar tudo mesmo distantes", concluiu. A dificuldade do controle do tráfico de drogas no Brasil, de acordo com Vargas, tem muita influência das dimensões do país. "A Bahia tem o tamanho da França. Até para proteger todas as fronteiras do estado não é fácil. E além da via terrestre, ainda tem o acesso litorâneo que dificulta ainda mais esse controle", ressaltou. Para que a situação seja solucionada, o professor acredita que deva existir uma integração e cooperação forte entre governo federal, estadual e municipal.



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