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A síndrome metabólica e o sedentarismo

(Foto: Reprodução)

Centenas de milhares de anos atrás, o ser humano era uma espécie de caçador e coletor nômade que andava, em média, cerca de dez quilômetros por dia. Passado alguns séculos, a humanidade desenvolveu a agricultura e passou a pegar pesado no batente. Aliás, imagine construir aquelas cidades das antigas civilizações sem o uso de máquinas? Ah tá, tiveram os ETs também, mas eles não contam. Mais recentemente ocorreu a Revolução Industrial e muito do que se fazia por trabalho bruto foi alçado às máquinas. Tudo isso, facilitou a vida de muitos e trouxe diversos benefícios, mas como tudo no mundo, há um outro lado da moeda, é necessário enxergar também os pesares da dependência tecnológica. Em pouquíssimo tempo, a tecnologia avançou de um modo impressionante. Atualmente, cerca de metade do trabalho feito no mundo ocidental acontece por meio de computadores. Isso significa que quem trabalha em desktops fica sentado, em um dia só, de 11 a 15 horas, em média, aumentando o sedentarismo. Isso inclui o tempo médio de trabalho, cerca de 8 horas por dia, com o tempo livre em casa, no sofá, ou sentando no carro/ônibus enquanto se locomove pela cidade. Se você ainda estuda no meio dessa rotina, a média é ainda maior.

A síndrome metabólica


O termo “doença de ficar sentado” não existe - na verdade, é uma tradução literal de outro termo que também não existe - cunhado pela comunidade médica e científica para se referir à síndrome metabólica e aos maus efeitos de um estilo de vida demasiado sedentário. Esta síndrome pode acarretar na desregulação da fisiologia de todo nosso organismo, por exemplo; na liberação de hormônios, no funcionamento da circulação sanguínea, na absorção da glicose pelas células, na pressão arterial, na função renal, na concentração e alteração do sistema imunológico. Atitudes como usar somente o carro para meio de locomoção e passar boa parte do dia encarando a tela do computador ou da TV prejudicam sua saúde. Esse tempo que passamos sentados, parados, está associado a um risco maior de doenças do coração, diabetes, câncer, imunodepressão e até depressão. Um estudo da Australia’s Sax Institute descobriu que pessoas que praticam o sedentarismo e passam mais de 11 horas sentadas tem cerca de 40% de chances a mais de morrer dentro dos próximos 3 anos do que quem passa apenas 4 horas. Isso acontece porque as enzimas responsáveis pelo metabolismo de gorduras e açúcares na corrente sanguínea “vão dormir” depois de 60 ou 90 minutos de inatividade física. Ou seja, já é bem menos do que o tempo médio que você fica sentado em frente ao computador, pode ter certeza. Essas enzimas são acionadas com o movimento do corpo, é isso que regula a quantidade de açúcar e melhora de colesterol no corpo: baixo movimento e baixa produção de enzimas contribuem para ganho de peso, diabetes e diminuição do HDL - o colesterol bom.


O que fazer?

Nesses casos, por mais que uma hora de exercício diário seja algo positivo de se fazer, ainda não vai compensar o resto do tempo em que seu corpo se mantém inerte. O melhor a ser feito é, durante todo o seu dia, a cada hora, dar uma pausa na postura de trabalho e acordar seu metabolismo. Isso serve desde uma caminhada até o café, ou o banheiro, ou só ficar de pé e fazer qualquer movimentos muscular com as pernas. Isso tudo ajuda de forma acumulativa: mantendo suas enzimas despertas por mais tempo. A postura na cadeira também é importante de se notar: suas costas sofrem mais quando você está sentado do que em pé. Sentando-se de forma reclinada, você reduz a tensão na sua espinha. Pequenas atitudes fora do trabalho também são bem vindas: alguns minutos a mais de caminhada para ir para ao ponto de ônibus ou escolher descer dele um pouco antes ou depois, subir as escadas normais na estação de metrô ao invés de escadas rolantes, deixar o carro na garagem quando fizer viagens curtas (e você ainda diminui a emissão de gases prejudiciais à atmosfera, dois pontos pra você!) e não ficar preso à TV e ao computador quando estiver em casa. Às vezes, você quer se mexer, é um desejo primordial do homem. Não deixe a preguiça tomar conta de você nessas horas e não fique muito tempo sentado!



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