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Conheça Thaís Virgínia, a mulher que perdeu a voz há três anos

Foto: Marina Silva/CORREIO

Era final do ano de  2015. A estudante Thaís Virgínia da Costa, então com 21 anos, apresentava seu último trabalho do curso técnico de Análises Clínicas quando percebeu que alguma coisa estava errada com a sua voz. No meio da apresentação de 40 minutos, ela já não conseguia mais completar uma frase. Por mais que se esforçasse, as palavras saiam entrecortadas. Ninguém conseguia lhe entender. Ela não conseguia falar. Naquela tarde, a jovem teve que se calar. Foi a primeira vez que foi silenciada pela disfonia espasmódica – doença que provoca um distúrbio na voz, dificultando a projeção da fala, e caracterizada por contrações involuntárias nos músculos da laringe. A vida de Thaís mudou e um silêncio angustiante passou a ser seu companheiro. Passados três anos, hoje aos 24 anos, com mais de 80% da capacidade vocal comprometida pela disfonia, Thaís não consegue se comunicar com a fala. Não emite palavras ou frases. A doença afetou tanto a sua rotina que ela não vai mais para a faculdade de Recursos Humanos. Também deixou para trás relacionamentos amorosos e de amizade, além do emprego de vendedora na loja da tia. Só costuma sair de casa, no bairro de Cajazeiras, em Salvador, para o tratamento no Hospital das Clínicas, no Canela. Qualquer contato com o mundo externo exige de Thaís esforço e a expõe a constrangimentos. As pessoas com quem ela tem contato questionam, perguntam e querem uma resposta para saber o que aconteceu.  É em uma cirurgia de Neuromiectomia, um método que retira e reconstrói parte do músculo das cordas vocais, que a jovem deposita a esperança de voltar a falar. Para isso, está fazendo uma vaquinha virtual, até o dia 16 de junho, para reunir a quantia de R$ 40 mil e realizar a cirurgia. O procedimento é realizado no Hospital Albert Einstein em São Paulo.

Foto: Marina Silva/CORREIO

Por ser uma opção de tratamento para uma doença rara – a patologia atinge 1 a cada 100 mil pessoas no mundo – a cirurgia só foi feita em 70 pessoas no país. De acordo com a professora de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Natasha Andrade Braga, a disfonia espasmódica está associada ao sistema nervoso central. “Não existe uma causa definida para a doença, mas a gente acredita que tenha um fator neurológico junto com psicológico. A disfonia espasmódica não é uma doença hereditária”, explicou.  Ainda segundo a professora, a doença costuma atingir mais mulheres, entre 30 e 60 anos. Atualmente, a jovem só mantém contato via redes sociais. É nos aplicativos de mensagem que ela conversa com outras pessoas, também diagnosticadas com disfonia espasmódica. É por lá, ainda, que pesquisa tudo sobre a doença. “Depois que eu entrei no grupo de WhatsApp, vi que tinha outras pessoas como eu, que já conseguiram fazer a cirurgia e que conseguiram tocar a vida”, conta. O grupo reúne 15 pacientes de todo o país. Uma dessas pessoas é o estudante de Engenharia Civil, o brumadense Joab Paiva, 35 anos. Ele é um dos poucos homens que foi diagnosticado com a doença - já que a incidência é maior em mulheres. O universitário, que já fez a cirurgia, descobriu a disfonia em 2015, enquanto se apresentava em um evento. A opção recomendada para Thaís, seria a cirurgia por conta da evolução da doença, os médicos retiram e queimam o músculo envolvido na situação. Nesse caso, a cirurgia pode dar certo em 60% dos casos - sendo que 33% necessitam da segunda intervenção e 7% da terceira cirurgia, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Se você quiser ajudar Thaís a arrecadar os R$ 40 mil necessários para fazer o procedimento cirúrgico você pode acessar o site através deste link, fazer sua doação e auxiliar ela falar de novo. 



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