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Brumadense condenado por massacre em cinema lança livro sobre o próprio crime e volta ao centro do debate público

Foto: Reprodução l Rede Social

Mais de duas décadas após protagonizar um dos crimes mais chocantes da história recente do Brasil, Mateus da Costa Meira, de 51 anos, voltou a ocupar espaço no debate público. Natural de Brumado, no sudoeste baiano, ele ganhou notoriedade nacional após o ataque a tiros ocorrido dentro de uma sala de cinema no Shopping Morumbi, em São Paulo, em 1999, que resultou na morte de três pessoas e deixou diversos feridos. Condenado inicialmente a mais de 120 anos de prisão, Mateus passou cerca de 25 anos entre o sistema prisional e unidades de custódia psiquiátrica. Em 2024, a Justiça autorizou sua desinternação, impondo uma série de medidas restritivas, entre elas recolhimento domiciliar noturno, proibição do porte de armas e da utilização de álcool e drogas, além da manutenção do acompanhamento médico e psicológico. Agora, o brumadense volta a chamar atenção por um motivo diferente. Ele lançou recentemente o livro “Dentro da Escuridão: A Vida, a Mente e o Crime de Mateus da Costa Meira”, obra na qual revisita sua trajetória pessoal, os diagnósticos psiquiátricos recebidos ao longo dos anos e os acontecimentos que antecederam o atentado que marcou o país. A publicação tem provocado reações divergentes. Enquanto alguns defendem o direito à expressão e à produção intelectual de pessoas que passaram pelo sistema penal, outros questionam a possibilidade de um condenado lucrar ou ganhar visibilidade a partir da própria história criminal. O tema tem gerado intenso debate nas redes sociais e entre especialistas em justiça criminal e ressocialização. Um dos aspectos mais peculiares da obra é a narrativa adotada pelo autor. Apesar de relatar acontecimentos dos quais foi protagonista, Mateus utiliza predominantemente a terceira pessoa, descrevendo sua própria trajetória como se observasse outro indivíduo. Antes mesmo da nova publicação, Mateus já havia se dedicado à escrita durante o período em que esteve sob custódia. O lançamento, porém, reacende discussões sobre os limites entre memória, responsabilidade criminal, saúde mental e reinserção social. O caso continua sendo lembrado como um dos episódios mais marcantes da crônica policial brasileira dos anos 1990. Agora, mais de 26 anos depois da tragédia, a história retorna ao debate público sob uma nova perspectiva: a de um homem que, após cumprir as determinações judiciais e deixar o sistema de custódia, busca contar a própria versão dos fatos por meio da literatura.



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