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Brumado: Júri popular decide nesta quinta (19) caso de homem que invadiu um quiosque com um carro, matou um e feriu outros no Distrito de Itaquaraí

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

O julgamento do caminhoneiro Gonçalo Meira Neves Neto, acusado de provocar uma das ocorrências mais violentas já registradas no distrito de Itaquaraí no ano de 2023 (veja aqui), será realizado nesta quinta-feira (19), no Fórum da comarca de Brumado. O réu responde por homicídio qualificado e cinco tentativas de homicídio após, segundo a acusação, avançar com um veículo contra um quiosque cheio de pessoas, resultando na morte de um homem e deixando vários feridos. O crime aconteceu na noite de 1º de setembro de 2023 e causou forte comoção na comunidade. Conforme as investigações, o acusado teria chegado embriagado ao estabelecimento conhecido como “Quiosque do Marreco”, onde iniciou uma discussão com frequentadores após ter a venda de bebida recusada pelo proprietário, Ediclei Xavier dos Santos. Testemunhas relataram que Gonçalo apresentava comportamento agressivo, passou a ofender clientes e chegou a arremessar uma lata de cerveja contra o dono do quiosque. A situação foi contida por pessoas que estavam no local, que retiraram o motorista e o conduziram até o carro. Minutos depois, no entanto, o acusado teria retornado sozinho, em alta velocidade. De acordo com depoimentos, ele dirigiu por cerca de 300 metros, pediu que a esposa e um amigo descessem do veículo e, em seguida, voltou em direção ao quiosque, avançando sobre a área onde estavam mesas, cadeiras e clientes. O impacto destruiu a estrutura do estabelecimento e lançou pessoas ao chão. O lavrador Edvam Bernardes, que havia ajudado a conter a confusão momentos antes, morreu no local após ser atingido. Conhecido na comunidade, ele foi lembrado por moradores como uma pessoa respeitada, o que intensificou a comoção após o crime. Outras cinco pessoas ficaram feridas, entre elas o proprietário do quiosque, familiares e um menino de 11 anos. Segundo consta no processo, a criança sofreu impacto significativo e levou semanas para recuperar a mobilidade. Um dos sobreviventes teve sete costelas fraturadas e perfuração pulmonar, permanecendo internado por vários dias. Ainda conforme testemunhas, após a colisão, o acusado teria descido do carro e tentado continuar as agressões utilizando uma cadeira, sendo contido por populares. Revoltados, moradores chegaram a iniciar um linchamento, interrompido com a chegada da Polícia Militar. Os policiais relataram que o motorista apresentava sinais claros de embriaguez. O teste do bafômetro confirmou a ingestão de álcool. Durante a condução, ele também teria danificado a viatura e proferido ofensa de cunho racial contra um policial. O Ministério Público denunciou Gonçalo por homicídio qualificado, cinco tentativas de homicídio qualificado, injúria racial e embriaguez ao volante. A acusação sustenta que o crime foi motivado por razão fútil e cometido com uso de meio que colocou diversas pessoas em risco. A Justiça decidiu submeter o caso ao Tribunal do Júri, entendendo haver provas da materialidade e indícios suficientes de autoria. Na decisão, o juiz Genivaldo Alves Guimarães manteve a prisão preventiva do réu, destacando a gravidade dos fatos, o número de vítimas e o impacto social do episódio. O julgamento deve reunir testemunhas, representantes da acusação e da defesa, além dos jurados responsáveis por decidir se o acusado será condenado ou absolvido. A expectativa é de que o caso tenha desfecho ainda nesta semana.



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