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Explosão das apostas online na Bahia acende alerta para vício silencioso

Foto: Reprodução

Um impulso quase incontrolável de tentar a sorte. A ilusão de que a próxima aposta pode compensar todas as perdas anteriores. Assim age a ludomania — o vício em jogos de azar —, um transtorno silencioso, progressivo e devastador, que vem ganhando terreno na Bahia à medida que as plataformas de apostas online, as chamadas bets, se tornam parte do cotidiano. O avanço do problema já é percebido nas unidades de saúde do estado. Dados da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) mostram que os atendimentos por dependência em jogos de azar na Rede de Atenção Psicossocial (Raps) cresceram 142,86% entre 2023 e 2024: saltaram de sete para 17 registros. Só no primeiro semestre de 2025, já são nove novos casos oficialmente registrados. Entre 2022 e 2025, 21 unidades da Raps notificaram atendimentos relacionados ao uso problemático de jogos, totalizando 41 ocorrências com o código CID F.63, que corresponde à ludopatia — termo técnico para o vício em jogos. O crescimento acompanha a expansão das bets, legalizadas no Brasil desde 2018. Segundo pesquisa do Instituto DataSenado, realizada em setembro de 2024, a Bahia ocupa a quarta colocação entre os estados com maior número de apostadores online: 1,5 milhão de baianos disseram ter apostado em sites ou aplicativos em apenas 30 dias. Boa parte da popularidade das plataformas vem do formato sedutor: aplicativos com design chamativo, promessa de ganhos fáceis e campanhas publicitárias estreladas por influenciadores e celebridades. Esse apelo camufla os riscos e dificulta a identificação da dependência. O jogador raramente se vê como viciado — ele se vê como alguém em busca de uma chance, mesmo que acumule derrotas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a ludomania como transtorno mental grave. Ainda assim, o tema avança com pouca visibilidade nos debates públicos, a despeito dos impactos sociais e familiares da compulsão. Hoje, as propagandas de bets são obrigadas a exibir o aviso “jogue com moderação” — medida semelhante à que vale para bebidas alcoólicas. No entanto, a regulamentação em vigor se destaca, sobretudo, pela arrecadação: apenas em maio de 2025, o setor gerou R$ 814 milhões aos cofres públicos. Enquanto o número de dependentes cresce e os riscos se tornam mais evidentes, uma proposta polêmica avança no Senado: a legalização de cassinos, jogo do bicho, bingos e caça-níqueis. O debate reacende preocupações sobre os limites entre o entretenimento e o risco social, em um cenário onde a normalização das apostas já afeta diretamente a saúde pública.



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