Enfermeiros de Brumado protestaram no 7 de Setembro desta quarta-feira, em meio ao desfile cívico, contra suspensão do aumento no piso salarial para a enfermagem feita em liminar pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). Vestidos de preto, simbolizando o "luto", os manifestantes pediram o fim da suspensão do piso com gritos de guerra como "enfermagem, na rua, Barroso é culpa sua" e "enfermagem unida jamais será vencida". O protesto aconteceu na Praça Armindo Azevedo e Capitão Francisco de Souza Meira. Desde que o aumento no piso salarial foi suspenso pelo STF, entidades que representam a categoria se mobilizam. Em entrevista ao site 97NEWS, a enfermeira Ivanete Lima Leite afirmou que a categoria recebeu, após 30 anos, um aumento dígno, no entanto, da noite para o dia, foi ceifada. "Lutamos durante esses vinte e trinta anos por um salário justo e merecido para a categoria, mas o Ministro entende que não. Esse é o presente que ele [Barroso] nos dá após dois anos de pandemia da covid. Quando todo mundo buscaca se resguardar da doença, a nossa categoria partiu pra cima em defesa da vida e das famílias. É justo isso, sermos tratados assim?", questiona a enfermeira.
De acordo com ela, mesmo sendo aprovado pela Câmara dos Deputados, pelo Senado e sancionado pelo presidente, o Ministro do STF entendeu que o aumento não era justo. "Eu não sei se foi de forma coerente ou não? Se tem respaudo ou não, derrubar toda uma conquista de tanto trabalhadores incansáveis do país. Durante a pandemia, até os super herois das revistas em quadrinhos fizeram referência aos enfermeiros e enfermeiras deste país, considerado os verdadeiros 'herois' durante a crise da doença", lembrou Ivanete. Para Cleber Henrique, técnico em enfermagem, o sentimento é de revolta e luto. "Estamos de luto. Essa desvalorização da categoria pode comprometer o nosso trabalho, com profissionais desmotivados, então, é toda uma luta de três décadas que foi acabada por apenas um homem", argumentou Henrique. O texto do projeto, aprovado pela Câmara e pelo Senado, fixou em R$ 4.750 o piso nacional de enfermeiros dos setores público e privado, valor que serve de referência para o cálculo do mínimo salarial de técnicos de enfermagem (70%), auxiliares de enfermagem (50%) e parteiras (50%). Profissionais iriam receber a partir deste mês de setembro o novo piso, mas foram surpreendidos com uma decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a lei por 60 dias, no último domingo (4).
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