Família alega negligência médica após morte de jovem de 24 anos no Hospital de Brumado

Bruno Teixeira (irmão de Gabriel) - Foto: Luciano Santos l 97NEWS

O brumadense Gabriel Teixeira da Silva, de 24 anos, morreu no último dia 17 de agosto (veja aqui), após ser internado no Hospital Municipal Professor Magalhães Neto, em Brumado. A família do jovem afirma suspeitar de negligência médica no atendimento prestado e pretende reunir laudos, boletins médicos e demais documentos para solicitar uma investigação formal sobre o caso. Ao 97NEWS, Bruno Teixeira, irmão de Gabriel, relatou que o jovem teria procurado atendimento na unidade hospitalar por três vezes antes de ser internado. Segundo Bruno, na primeira passagem pelo hospital, Gabriel teria sido orientado de que os sintomas poderiam estar relacionados a desconforto abdominal. “Meu irmão chegou no hospital em busca de ajuda por três vezes, antes de ser internado. Na primeira vez falaram que era gases. Ele foi embora e não chegaram nem a examinar ele direito”, afirmou. Ainda conforme o relato, dias depois Gabriel retornou à unidade apresentando fortes dores na região do abdômen e do pulmão, além de falta de ar. Bruno disse que, naquela ocasião, o jovem teria recebido uma medicação que, segundo ele, seria de uso infantil. “Uma médica receitou um remédio infantil, não sei o nome, mas foi um remédio infantil para gases. Novamente meu irmão voltou para casa, mesmo com fortes dores”, relatou. Na terceira vez, de acordo com o irmão, Gabriel já apresentava um quadro considerado grave pela família e precisou ser levado às pressas ao hospital. Após a realização de exames, Gabriel teria sido diagnosticado com pneumonia. Segundo Bruno, o jovem chegou a permanecer em casa por alguns dias, mas seu estado de saúde piorou. “Os exames constaram pneumonia. Ele ficou em casa, os dias foram passando, até que não suportou mais. Ele sabia que estava grave, foi para o hospital às pressas e ficou internado”, contou.

Gabriel Teixeira veio a óbito no dia 17 de agosto - Foto: Reprodução

Ainda segundo o familiar, Gabriel foi encaminhado diretamente para a sala vermelha e, posteriormente, precisou ser intubado devido à baixa saturação e às dificuldades respiratórias. Bruno afirmou que, durante a internação, a família foi informada de que Gabriel havia acumulado líquido nos pulmões. O irmão questiona se outros procedimentos poderiam ter sido adotados diante da evolução do quadro. “Após terem entubado meu irmão, informaram que ele estava com líquido no pulmão. Não sei por que não fizeram a drenagem, não sei se seria o correto também. Queriam deixar ele mais um tempo entubado para ver se ele conseguia se recuperar, usando os medicamentos, e a entubação ajudaria ele a respirar melhor, para poder desinflamar o pulmão”, afirmou. Apesar dos esforços para reverter o quadro, Gabriel morreu no dia 17 de agosto. O irmão também questionou a forma como a família teria sido comunicada sobre a morte. Segundo Bruno, os familiares não teriam sido avisados imediatamente e seu pai encontrou o corpo do jovem já no necrotério. “Meu irmão faleceu e eles não entraram em contato de imediato com meus pais. Meu pai foi ver o corpo do meu irmão já dentro do necrotério, já não estava mais na sala da UTI”, relatou.

Família busca investigação

Para a família, a sequência de atendimentos e a evolução do quadro levantam suspeitas que precisam ser esclarecidas pelas autoridades competentes. “Todos nós consideramos que foi negligência médica, porque Gabriel era para ter sido internado desde o primeiro dia que procurou o hospital. Desde o primeiro dia que ele buscou socorro, buscou ajuda, foi negligência”, declarou Bruno. Ele afirmou ainda que a família está reunindo documentos para buscar esclarecimentos e responsabilização, caso sejam constatadas irregularidades. “Eu e minha irmã, minha tia também, estamos indo atrás dos laudos dele, dos boletins médicos, de tudo, desde o dia que Gabriel deu a primeira entrada no hospital, para que a gente consiga abrir uma sindicância e buscar justiça para Gabriel. Eu vou buscar justiça pelo meu irmão, eu vou atrás de justiça, nem que seja a última coisa que eu faça nessa vida”, afirmou. Bruno também fez um apelo para que outros moradores que tenham enfrentado situações semelhantes procurem os órgãos competentes. “Até quando a população de Brumado vai se calar diante de tantas mortes, diante de tanto descaso, diante de tanta negligência dentro desse hospital? Até quando? É medo? É por causa de emprego? É o quê? Eu não vou me calar, eu não vou descansar até que seja feita justiça pelo meu irmão”, declarou.

Prefeitura foi procurada para esclarecimentos

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Brumado para solicitar esclarecimentos sobre o atendimento prestado a Gabriel, as circunstâncias da internação e da morte, além dos procedimentos adotados pela unidade hospitalar. Segundo informado à reportagem, uma nota oficial seria publicada pela Prefeitura. Até o fechamento desta matéria, porém, o posicionamento ainda não havia sido disponibilizado. As alegações apresentadas pela família ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes. Eventuais responsabilidades somente poderão ser confirmadas após a análise dos prontuários, laudos médicos, exames e demais elementos da investigação.