Investigação da PF aponta suposto recebimento de apartamento por Jaques Wagner, que nega irregularidades

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18), teve como base uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura um suposto esquema de favorecimento envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Segundo a PF, Wagner teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões de Augusto Lima. O imóvel estaria localizado no Residencial Poème Horto, empreendimento situado no bairro do Horto Florestal, área nobre de Salvador. Em entrevista à BandNews, o senador negou qualquer irregularidade e afirmou estar tranquilo em relação às investigações. “Até agora, não sou réu; não sou culpado; não sou nada. É uma investigação em cima do que eu imagino que a Polícia Federal encontrou em celulares [apreendidos] ou em alguma delação de alguém que eu desconheço”, declarou. Na decisão que autorizou as medidas da nova fase da operação, o ministro André Mendonça cita que a Polícia Federal apresentou “elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado”. Os investigadores sustentam ainda que a relação entre Wagner e Augusto Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, segundo a PF, teria criado um ambiente favorável para negociações reservadas voltadas à defesa de interesses privados ligados ao Banco Master. De acordo com o relatório policial, o próprio senador teria escolhido a unidade residencial. A investigação aponta que Wagner encaminhou ao banqueiro informações sobre o empreendimento e os dados do corretor responsável pela negociação do imóvel. A apuração segue em andamento no Supremo Tribunal Federal. Até o momento, não há denúncia formal apresentada contra o senador, que nega qualquer envolvimento em irregularidades.