O baiano Redney Miranda viveu meses de terror após decidir se alistar como combatente voluntário na guerra entre Ucrânia e Rússia. Motivado pelo desejo antigo de seguir carreira militar — frustrado após não conseguir ingressar no Exército Brasileiro — ele afirma ter viajado ao Leste Europeu em busca de “adrenalina”. O que seria uma permanência de apenas 30 dias acabou se transformando em 172 dias no front, marcados por bombardeios constantes, fome extrema e a morte de companheiros de combate. Sem experiência militar formal, Redney decidiu integrar as forças ucranianas no início do conflito. Durante o período em que esteve na linha de frente, ele relata ter enfrentado condições severas de sobrevivência. Segundo o ex-combatente, a alimentação era precária e, em alguns momentos, praticamente inexistente. Ao retornar ao Brasil, em janeiro deste ano, ele havia perdido cerca de 28 quilos. Além das dificuldades físicas, Redney também enfrentou situações de risco extremo. Em um dos ataques, ele foi atingido por estilhaços de granada, o que provocou uma paralisia temporária em parte do corpo. Durante os confrontos, ele presenciou a morte de 17 colegas de batalha. Entre as vítimas, estava o paranaense Wagner, conhecido como “Braddock”, que também atuava como voluntário no conflito. O retorno ao Brasil, no entanto, não ocorreu de forma tranquila. Redney afirma que, ao tentar deixar a linha de frente, passou a ser perseguido por integrantes do próprio exército ucraniano, situação que o obrigou a deixar o país às pressas. Durante os meses em que permaneceu na guerra, o baiano manteve contato com a família por meio de chamadas de vídeo. A filha pequena, sem compreender a gravidade da situação, chamava a trincheira onde o pai se escondia de “buraco”. Já a mãe do ex-combatente relata que passou meses sem notícias e chegou a acreditar que o filho não voltaria vivo. De volta ao Brasil, Redney tenta reconstruir a rotina, mas afirma que ainda enfrenta dificuldades para lidar com as lembranças dos combates. Assim como outros brasileiros que participaram do conflito como voluntários, ele agora busca retomar a vida civil enquanto lida com as marcas físicas e psicológicas deixadas pela guerra. Informações G1.
Baiano relata drama após lutar na guerra da Ucrânia: fome, ferimentos e morte de colegas marcaram experiência
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