Caculé: MP-BA investiga suposto esquema de propina em contratos de limpeza com a empresa brumadense Lig Lixo

Foto: Reprodução l Rede Social

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou investigações para apurar um suposto esquema de cobrança de propina envolvendo contratos da Prefeitura Municipal de Caculé, Sudoeste baiano, administrada pelo prefeito Pedro Dias da Silva. Os fatos dizem respeito a contratações realizadas em 2024, tendo como foco principal a empresa L&M Serviços de Limpeza LTDA (Lig Lixo). Em agosto do ano passado o site 97NEWS mostrou os vídeos e os prints de comprovantes dos despósitos feitos ao sobrinho do prefeito (veja aqui). De acordo com a portaria assinada pelo promotor Leandro Mansine Meira Cardoso de Castro, as diligências buscam apurar possíveis atos de improbidade administrativa e crimes contra a Administração Pública. As investigações miram não apenas contratos de limpeza urbana, mas também outras contratações suspeitas feitas pela atual gestão.

Outras irregularidades em análise

Além do caso da Lig Lixo, o MP-BA instaurou dois novos inquéritos civis públicos:

  • Portaria nº 08/2025: apura a contratação de uma técnica de enfermagem para atuar na manutenção da frota municipal em 2024, sem comprovação de serviços prestados.

  • Portaria nº 09/2025: investiga a contratação de um borracheiro para serviços de pedreiro em obras públicas em 2023, também sem comprovação efetiva.

Essas frentes ampliam o alcance das apurações e reforçam as suspeitas de má gestão e desvio de recursos públicos.

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Vídeos reforçam denúncia

As denúncias ganharam força após a divulgação de vídeos gravados pelo empresário Davi Ferreira Souza, conhecido como “Davi da Lig Lixo”. Nos registros, Davi aparece relatando o pagamento de propina a um suposto secretário municipal de finanças, identificado como Paulo, que também seria dono de um mercadinho na cidade. Em um dos trechos, o empresário afirma: “Aqui tem dez mil reais para completar os R$50 mil. Porque ontem eu dei R$40 mil pra [Paulinho]... e hoje ele disse que só pagaria a nota depois que trazer os dez. Aí eu tô chegando aqui em Caculé pra deixar mais dez mil com [Paulinho]. Esse Paulo aqui é o secretário de finanças da prefeitura. Ele que comanda aqui os contratos, que diz quem paga e quem não paga... aí tô indo aqui com destino ao mercadinho dele lá (sic).” Segundo o MP-BA, apesar de os procedimentos correrem sob sigilo, os elementos já levantados podem resultar em ações civis e criminais contra gestores e empresários envolvidos. As investigações ainda estão em andamento, mas os indícios apontam para um esquema que compromete a transparência da administração e ameaça os cofres público.