Armas de fogo e acidentes de moto matam jovens brasileiros, diz estudos

Foto: Composição l 97NEWS

A juventude brasileira continua sendo a principal vítima de duas das maiores causas de mortalidade precoce no país: a violência armada e os acidentes de trânsito, especialmente envolvendo motocicletas. De acordo com dados do Atlas da Violência, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais da metade das mortes violentas intencionais em 2023 tiveram como vítimas pessoas entre 15 e 29 anos, sendo a maior parte homens negros. As armas de fogo seguem como o principal instrumento utilizado nos homicídios, representando quase 77% dos casos. No trânsito, a situação não é menos grave. Informações do Ministério da Saúde, com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), apontam que os acidentes envolvendo motocicletas são a principal causa de morte acidental entre jovens. Em muitas cidades brasileiras, a moto é o único meio de transporte acessível e acaba sendo também ferramenta de trabalho para entregadores, o que aumenta a exposição ao risco. Especialistas apontam que o cenário é resultado de uma combinação de fatores: fácil acesso a armas, falta de políticas públicas eficazes de prevenção da violência, ausência de infraestrutura adequada para motociclistas e fiscalização deficiente nas vias urbanas e rodovias. Além do impacto imediato nas famílias, o problema traz prejuízos econômicos ao país. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que os acidentes de trânsito geram custos anuais bilionários ao sistema de saúde e à previdência social. Organizações da sociedade civil e pesquisadores defendem ações integradas, que vão desde o fortalecimento de políticas de desarmamento até campanhas permanentes de conscientização sobre segurança no trânsito. A criação de oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade também é vista como uma das principais estratégias para reduzir a violência letal. Enquanto soluções estruturais não avançam, o Brasil mantém um triste retrato: milhares de jovens seguem perdendo a vida, seja pelo barulho das balas ou pelo ronco dos motores.