Trump ameaça impor novas tarifas ao Brasil e amplia ofensiva comercial global

Foto: Reprodução l White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (9) que pretende anunciar em breve novas tarifas contra o Brasil. “O Brasil, por exemplo, não tem sido bom para nós, nada bom”, disse o republicano a jornalistas durante um encontro com líderes da África Ocidental na Casa Branca. Segundo ele, detalhes sobre a medida devem ser divulgados até esta quinta-feira (10). A declaração vem em meio a uma escalada de medidas protecionistas adotadas pela Casa Branca. Só na quarta, os EUA incluíram Argélia, Brunei, Iraque, Líbia, Moldávia e Filipinas em uma nova rodada de tarifas, com alíquotas de até 30%. A justificativa, segundo Trump, é reequilibrar a balança comercial americana e punir países que impõem barreiras à entrada de produtos norte-americanos — em especial os alinhados ao bloco dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Desde abril, Washington tem pressionado parceiros a assinar acordos bilaterais. No entanto, apenas Reino Unido e Vietnã formalizaram novos termos com os Estados Unidos até agora. “Uma carta significa um acordo”, afirmou Trump na véspera, durante reunião de gabinete — declaração interpretada como uma crítica indireta a países que têm hesitado em formalizar compromissos comerciais com os EUA. A África do Sul, que recentemente foi alvo de uma tarifa de 30%, rebateu a medida e classificou como "unilateral" a postura americana, mas indicou que as negociações continuarão. Além de países, os EUA também têm voltado sua atenção a setores considerados estratégicos. Já foi anunciada uma tarifa de 50% sobre o cobre importado, com vigência prevista para 1º de agosto. Produtos farmacêuticos também estão na mira: podem ser taxados em até 200%, conforme adiantou o próprio presidente. Ele acrescentou que as empresas afetadas terão um prazo de um ano para adaptar sua produção e transferi-la para território americano. Se confirmadas, as tarifas contra o Brasil poderão acirrar tensões diplomáticas e impactar setores exportadores estratégicos, como o agronegócio e a indústria metalúrgica. Até o momento, o governo brasileiro não se pronunciou oficialmente sobre a ameaça.