No último dia 6 de junho, a Prefeitura Municipal de Brumado realizou a posse dos novos membros do Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável (CMDS), instituído pela Lei 2.039/2025. A nova mesa diretora foi composta por Cláudio Meira Ribas (presidente), Anselmo Rodrigues Cardoso (vice-presidente), Fabiano da Silva Freitas (primeiro secretário) e Gerusa de Amorim Lima (segunda secretária). Apesar da formalização do Conselho, o processo de escolha da nova diretoria gerou forte insatisfação entre presidentes de associações comunitárias do município. Os líderes divulgaram uma Nota de Repúdio questionando a forma como a eleição foi conduzida e alegam falta de transparência e participação. Em entrevista ao site 97NEWS, Marizete Percora, representante das comunidades de Pebas e Pompéia, criticou duramente o que considerou uma manobra para acelerar o processo sem diálogo com as associações. "Nosso objetivo sempre foi manter o respeito com os presidentes de associações. A prefeitura promoveu uma reunião de última hora, comunicada às 9h da noite, e no dia seguinte já ficamos sabendo pela imprensa que o Conselho havia sido criado. Não fomos avisados, não houve convocação, não houve votação e nem tivemos direito à indicação de representantes. Simplesmente montaram uma mesa com pessoas que nunca estiveram conosco nas lutas das comunidades. Ficamos assustados", declarou.
Presidentes de associações rurais repudiam processo de eleição do Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável em Brumado
Foto: Luciano Santos l 97NEWS
Foto: Luciano Santos l 97NEWS Taise Marques, presidente da Associação da Comunidade de Lajedão, reforçou que a insatisfação não é direcionada às pessoas que compõem a mesa, mas sim ao método como o processo foi conduzido. "O questionamento é sobre a forma. Há mais de 20 anos, os presidentes sempre tiveram direito ao voto, e agora simplesmente nomearam um presidente para o Conselho, sem a devida participação das associações", pontuou. Diante do impasse, os líderes das comunidades estão se articulando para criar uma Federação ou Consórcio das Associações de Brumado, que terá como objetivo dar celeridade às demandas das comunidades e fortalecer a representatividade. "Queremos representar o nosso povo, porque quem é cobrado somos nós, os presidentes das associações, não é o presidente do Conselho, nem o prefeito. Nossa proposta é unir as associações, criar uma estrutura independente, sem vínculos políticos, para pressionar e cobrar os órgãos públicos", explicou Dielson Ribeiro, presidente da Associação da Comunidade de Extrema. Segundo Ribeiro, o movimento já realizou sua primeira reunião e está avançando na formalização da entidade. "Já juntamos os documentos necessários e, na próxima reunião, vamos discutir a formação legal da Federação ou do Consórcio."
Foto: Luciano Santos l 97NEWS Procurado pela reportagem, o presidente do CMDS, Cláudio Ribas, afirmou que a criação de uma Federação ou Consórcio será positiva para o município. "O Conselho é único, mas a formação de uma federação será bem-vinda. É mais uma ferramenta de organização popular, principalmente para fortalecer o homem e a mulher do campo", disse. O episódio evidencia o conflito entre as lideranças comunitárias e o poder público municipal quanto à gestão democrática dos espaços de participação social e ao respeito aos processos tradicionais de escolha no âmbito das associações. O caso segue repercutindo entre as comunidades rurais de Brumado.
