Geddel admite arrependimento por candidatura ao governo da Bahia em 2010: 'Teria sido senador com facilidade'

Foto: Reprodução l BNews

Durante entrevista à rádio Baiana FM, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) fez uma rara reflexão pública sobre um dos momentos mais emblemáticos -- e controversos -- de sua trajetória política: a eleição de 2010, quando decidiu disputar o governo da Bahia. Em resposta a um ouvinte que perguntou sobre possíveis arrependimentos ao longo da carreira, Geddel foi direto ao ponto. “Se eu tivesse que fazer alguma coisa diferente, eu não teria saído daquela disputa para governador. Eu teria sido mais tolerante e teria sido senador na eleição fácil”, afirmou à emissora. Naquele pleito, Geddel optou por abrir mão da vaga ao Senado para tentar conquistar o Palácio de Ondina. Acabou ficando em terceiro lugar, atrás de Paulo Souto (então no DEM) e de Jaques Wagner (PT), que se reelegeu para o segundo mandato como governador da Bahia. Ainda durante a conversa, Geddel fez menção aos bastidores da política e aos impactos pessoais de suas decisões, especialmente em relação à lealdade a aliados. “Paguei o preço da lealdade a companheiros que me cobravam determinadas coisas, e não cabe aqui ficar falando para não reabrir feridas.” Questionado se acredita ter sido injustiçado ao longo da carreira pública, o ex-ministro rejeitou o papel de vítima: “Rapaz, quando você diz que foi injustiçado em algum momento, você deixa passar a sensação de que você é vítima ou quer se fazer de vítima. Eu nunca fui homem para tentar me fazer de vítima ou me vitimizar em nada. Aí é Nelson Rodrigues: a vida é como ela é. Eu pago os preços que a vida me cobra.” A fala de Geddel ocorre em um momento de maior reclusão pública, após um longo período afastado do centro das decisões políticas. Sua entrevista reacende debates sobre escolhas políticas, lealdade e as consequências da vida pública.