Estiagem e altas temperaturas afetam agricultores de Brumado

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

Cerca de 136 municípios da Bahia decretaram situação de emergência em razão da estiagem. Destes, 86 municípios já têm o decreto de emergência reconhecido pelo Governo Federal. Apesar do município de Brumado não está na lista, a cidade se encontra dentro do número de locais que vêm sendo afetados pela seca, o que prejudica, também, a diversidade de frutas e hortaliças disponíveis nos supermercados e na Feira Livre. A estiagem é um período prolongado de pouca ou nenhuma concentração de chuvas em determinada região, no qual a perda de umidade do solo é superior à sua reposição. Por isso, a disponibilidade de água, tanto para consumo, quanto para a agricultura, é menor, o que impossibilita a produção de alimentos em média ou grande escala. A situação da estiagem também já afeta os agricultores. O site 97NEWS percorreu o interior do município onde se encontram os produtores, e são muitos os relatos de poços artesianos que secaram ou reservatórios (aguadas) com capacidade reduzida. O agricultor Jair Bittencourt, 57 anos, destacou que os reservatórios já secaram e o gado está sendo mantido com ração. "Nós temos aqui na família cerca de 52 cabeças de gado, mas estamos apenas mantendo vivo, porque o pasto já acabou, a água só tem lama, e só de ração não tem como engordar. Essa semana a gente comprou 600kg de ração, mas só dá pra duas semana, ta muito difícil", disse o agricultor.

Foto: Luciano Santos l 97NEWS

Além da seca, a onda de altas temperaturas dos últimos meses tem dificultado a vida dos agricultores. Outra dificuldade encontrada é a falta de limpeza nos reservatórios. Segundo Bittencourt, os governantes deveriam ter se programado e feito a limpeza na época certa. "Falta um pouco de sensibilidade dos gestores, porque tem aguada que a lama chega a dois metros de profundidade, e todos sabem que antes das chuvas tem que limpar. Mas infelizmente o homem do campo nem sempre é lembrado", afirmou. Conforme o agricultor, sem o pasto, sem a palma forrageira, o único alimento dos animais é a ração, mas vem se tornando insustentável por conta do preço. "Você comprar o quilo do caroço a R$1,90, não tem bolso que agüente, e a gente não pode vender o gado agora porque vamos perder dinheiro, estamos gastando muito e o preço da arroba não compensa", disse Jair.