ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

Haddad sugere que Viagra passa a ser vermelho para homenagear 'T' de Lula pelo Brasil

Cristiane Brasil é autorizada pelo STJ para assumir o Ministério do Trabalho

BR-430: Motoqueiro é atingido por caminhão e tem morte instantânea na região de Caetité

20 de janeiro: Brumadenses irão comemorar o `Dia de São Sebastião´ patrono de Brumado

Jornalista global se demite após 18 anos para investir em bitcoin

Mega-Sena pode pagar prêmio de R$ 15 milhões hoje (20)

Instrumentos que foram roubados de Caetano Veloso são recuperados pela Polícia

Governo da Bahia divulga resultado provisório de concurso para soldado da PM

Barreiras: Pai é suspeito de agredir filha com machado após ela reagir a tentativa de abuso

Olha o Gás: Petrobras reduz preço de gás industrial e comercial em 6,3% a partir de sábado

Brumado: Confira a programação do `Verão Vip 2018´

Conquista: Assaltante que atirou em mulher no roubo de carro morre em confronto com a PM

Detran da Bahia arrecada mais de R$ 220 mil com leilão de veículos apreendidos em Brumado

Dom Basílio: Idoso sofre tentativa de homicídio

Padaria Divina: Delícias com uma qualidade inigualável

Absurdo! Motorista que causou acidente em Copacabana estava com CNH cassada desde 2014

Itapetinga: Jovem amordaçado consegue enganar bandidos, foge e escapa da morte

Brumado: Definido a tabela do Campeonato Brumadense 2018; jogos começam no dia 18 de fevereiro

Brumado: Nova sede da SMTT está quase pronta; atendimento ao público será ampliado

Júri de Lula será transmitido pelo YouTube


Do lixão para o doutorado em medicina

foto R7

Ele tinha tudo para dar errado. Mas decidiu contrariar os paradigmas de um garoto pobre, negro e criado em meio à violência, drogas e alcoolismo. Cícero Pereira Batista tem 33 anos que podem ser triplicados pelas experiências que viveu. Após tirar literalmente do lixo sua esperança de uma vida melhor, hoje comemora a conquista do diploma de médico conquistado graças à obstinação, como ele mesmo define.

 

 

No dia 6 de junho deste ano, o menino Juca se tornou o Dr. Cícero Batista. Na formatura foi ovacionado por professores, colegas e os pais daqueles que costumavam discriminá-lo por ser negro e pobre.

Foi na quadra 20 da QNL, mais conhecida como Chaparral e pelos altos índices de violência, que o então menino Cícero cresceu. Na época ainda era chamado de Juca pelos sete dos 20 irmãos que conseguiram sobreviver à pobreza.

 

Quando tinha apenas três anos, o pai morreu e o futuro que já seria difícil se tornou pior. A mãe de Cícero encontrou no álcool a fuga para as mazelas da periferia que tomaram conta de sua casa. O irmão mais velho passou a traficar e usar drogas. Momentos que marcaram a mente de Juca.

 

 

— Meu pai, antes de morrer, pediu ao meu irmão mais velho que cuidasse de nossa família, mas ele não suportou. Ele se envolveu com as drogas e passou a usá-las dentro de casa. Isso aqui era cheio de gente drogada. Eu via meu irmão cheirando cocaína ao meu lado.

 

Em meio ao caos, Cícero buscou meios para sua própria subsistência. E o foi buscar no lixo o que comer. Entre lágrimas, ele lembra o que precisava fazer para comer e ajudar a irmã mais nova.

 

— Eu tinha que chafurdar no lixo para encontrar comida. E muitas vezes encontrava pedaço de carne podre, iogurte vencido, resto de comida que ninguém queria. Era aquilo que me alimentava. E no meio do lixo surgiu a minha oportunidade de uma vida melhor.

 

No meio aos restos, Cícero encontrava livros e discos de vinis velhos. Os livros passaram a ser o refúgio de tanta desgraça. Os vinis, a trilha de uma trajetória que ele jamais imaginava percorrer.

 

— Eu lia tudo que encontrava pela frente. Eram livros velhos manchados pelo chorume de lixeiras de supermercados, mas era a única coisa que eu tinha. Os vinis eu escutava na casa de um vizinho. Beethoven e Bach foram minhas inspirações.

 

A irmã de Cícero o matriculou na escola pública próxima a sua casa. Só conseguiu chegar ao ensino técnico graças à ajuda de professores e amigos. Decidiu fazer o curso de técnico em enfermagem que passou em segundo lugar na seleção feita pelo Cespe, banca que integra a UnB (Universidade de Brasília).

 

Ao concluir o curso logo veio a primeira vitória. Foi aprovado no concurso da Secretaria de Saúde para técnico em enfermagem e passou a trabalhar no HRT (Hospital Regional de Taguatinga). Mas ainda era pouco para quem estava acostumado com tanta dificuldade. Então ele buscou o que já procurava desde a infância. Passou para o vestibular de medicina em uma faculdade particular de Araguari.

 

Cícero estudava de segunda a sexta-feira e aos fins de semana tirava plantão de 40 horas no HRT. Não tinha outro jeito. Acabava perdendo as aulas da manhã de segunda, mas tinha a ajuda dos professores. O salário que recebia ia todo para o pagamento da mensalidade. Sobrevivia de doação e da própria determinação.

 

Como a rotina estava muito difícil, Cícero decidiu fazer o Enem e tirou nota suficiente para lhe garantir uma bolsa de estudos em uma faculdade particular do DF. Passou a estudar medicina no Gama onde enfrentou o preconceito racial e a rotina de estudos. Mas para quem trazia cicatrizes da infância, ser vítima de preconceito era apenas mais uma etapa a ser vencida.

 

— Eu nunca pensei em desistir. Meus companheiros sempre foram os livros e a música clássica me dava leveza de espírito para seguir em frente. Eu pensava que se Beethoven se tornou um dos grandes compositores da história eu também poderia me tornar um bom médico. E deu certo.

 

No dia 6 de junho deste ano, o menino Juca se tornou o Dr. Cícero Batista. Na formatura foi ovacionado por professores, colegas e os pais daqueles que costumavam discriminá-lo por ser negro e pobre.

 

Hoje faz questão de contar a própria história no lugar onde tudo começou. A casa ainda sem nenhum conforto na QNL 20 é o lugar que abriga a mãe e os livros achados no lixo e nas paradas de ônibus. Os planos agora são outros, mas sempre focados em dias melhores.

 

— Eu quero justificar a confiança que meus professores e meus amigos depositaram em mim. Por isso estou focado em me tornar um bom médico, dar uma vida melhor para minha mãe e depois me especializar em psiquiatria ou pediatria. Mas ainda penso estudar Direito, quem sabe. (r7)

 



Comentários

  • ROBISON

    " Parabéns e muito sucesso a esse guerreiro, este deverá ser o exemplo de luta assistido por nós brasileiros. Com estes cidadãos lindos e dedicados faremos um grande futuro honesto para nossa nação. Fico muito grato por ler esta reportagem. Abraços e Deus o ilumine sempre a multiplicar mais Juca para esta nação carente desta gente."

Deixe seu comentário