ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

Conquista: Leilão de carros e motos apreendidos acontece na quinta-feira (19); são lotes com preço mínimo de até R$ 100

Bahia: Recursos para merenda escolar sofrem queda; o corte chega aos R$ 40 milhões

Brumado: Qual o motivo das pessoas deixarem as alianças de ouro em casa?

Malhada de Pedras: Tiro de Guerra 06-024 realiza entrega de Certificado de Dispensa

Morre a segunda vítima atingida por caminhão de entulho em acidente na cidade de Salvador

Boa Notícia: Advogado que desapareceu em Eunápolis é encontrado em Vitória da Conquista

Equipamentos sem manutenção ao lado da Academia de Saúde no Bairro Dr. Juracy se tornam ‘armadilhas’ para crianças

Brumado: Celebrações que antecedem o Dia de São Cristovão são iniciadas

Brumado: Risco de sair à noite e ter celular levado por assaltantes assusta a população

Salvador: Carro de entulho se envolve em acidente e atropela várias pessoas; uma vítima não resistiu e morreu no local

Safra baiana cresce e produção de grãos bate recorde em 2018; milho é a segunda cultura mais importante

Caetité: Duas pessoas morrem e outra fica gravemente ferida em colisão frontal na BR-030

Carreta tem leve colisão com trem e causa congestionamento na BR-030 na manhã desta terça-feira (17)

Vereadora Lia Teixeira visita obras da Creche do Bairro São José

Cuidado: Intoxicação ou envenenamento atinge 37 crianças por dia

Operação Transbordo: Bahia tem 25 mandados de prisão e 36 de busca e apreensão

Mãe de advogado desaparecido nega que ele tenha sido encontrado

Brumadenses conquistam o 4º lugar no Rally Mercosul 2018; foram 3 mil km de prova

Prefeitura de Ibotirama deverá regularizar dívida previdenciária de R$ 45 milhões com a União

Primeira parcela do 13º de aposentados e pensionistas será paga em agosto


Do lixão para o doutorado em medicina

foto R7

Ele tinha tudo para dar errado. Mas decidiu contrariar os paradigmas de um garoto pobre, negro e criado em meio à violência, drogas e alcoolismo. Cícero Pereira Batista tem 33 anos que podem ser triplicados pelas experiências que viveu. Após tirar literalmente do lixo sua esperança de uma vida melhor, hoje comemora a conquista do diploma de médico conquistado graças à obstinação, como ele mesmo define.

 

 

No dia 6 de junho deste ano, o menino Juca se tornou o Dr. Cícero Batista. Na formatura foi ovacionado por professores, colegas e os pais daqueles que costumavam discriminá-lo por ser negro e pobre.

Foi na quadra 20 da QNL, mais conhecida como Chaparral e pelos altos índices de violência, que o então menino Cícero cresceu. Na época ainda era chamado de Juca pelos sete dos 20 irmãos que conseguiram sobreviver à pobreza.

 

Quando tinha apenas três anos, o pai morreu e o futuro que já seria difícil se tornou pior. A mãe de Cícero encontrou no álcool a fuga para as mazelas da periferia que tomaram conta de sua casa. O irmão mais velho passou a traficar e usar drogas. Momentos que marcaram a mente de Juca.

 

 

— Meu pai, antes de morrer, pediu ao meu irmão mais velho que cuidasse de nossa família, mas ele não suportou. Ele se envolveu com as drogas e passou a usá-las dentro de casa. Isso aqui era cheio de gente drogada. Eu via meu irmão cheirando cocaína ao meu lado.

 

Em meio ao caos, Cícero buscou meios para sua própria subsistência. E o foi buscar no lixo o que comer. Entre lágrimas, ele lembra o que precisava fazer para comer e ajudar a irmã mais nova.

 

— Eu tinha que chafurdar no lixo para encontrar comida. E muitas vezes encontrava pedaço de carne podre, iogurte vencido, resto de comida que ninguém queria. Era aquilo que me alimentava. E no meio do lixo surgiu a minha oportunidade de uma vida melhor.

 

No meio aos restos, Cícero encontrava livros e discos de vinis velhos. Os livros passaram a ser o refúgio de tanta desgraça. Os vinis, a trilha de uma trajetória que ele jamais imaginava percorrer.

 

— Eu lia tudo que encontrava pela frente. Eram livros velhos manchados pelo chorume de lixeiras de supermercados, mas era a única coisa que eu tinha. Os vinis eu escutava na casa de um vizinho. Beethoven e Bach foram minhas inspirações.

 

A irmã de Cícero o matriculou na escola pública próxima a sua casa. Só conseguiu chegar ao ensino técnico graças à ajuda de professores e amigos. Decidiu fazer o curso de técnico em enfermagem que passou em segundo lugar na seleção feita pelo Cespe, banca que integra a UnB (Universidade de Brasília).

 

Ao concluir o curso logo veio a primeira vitória. Foi aprovado no concurso da Secretaria de Saúde para técnico em enfermagem e passou a trabalhar no HRT (Hospital Regional de Taguatinga). Mas ainda era pouco para quem estava acostumado com tanta dificuldade. Então ele buscou o que já procurava desde a infância. Passou para o vestibular de medicina em uma faculdade particular de Araguari.

 

Cícero estudava de segunda a sexta-feira e aos fins de semana tirava plantão de 40 horas no HRT. Não tinha outro jeito. Acabava perdendo as aulas da manhã de segunda, mas tinha a ajuda dos professores. O salário que recebia ia todo para o pagamento da mensalidade. Sobrevivia de doação e da própria determinação.

 

Como a rotina estava muito difícil, Cícero decidiu fazer o Enem e tirou nota suficiente para lhe garantir uma bolsa de estudos em uma faculdade particular do DF. Passou a estudar medicina no Gama onde enfrentou o preconceito racial e a rotina de estudos. Mas para quem trazia cicatrizes da infância, ser vítima de preconceito era apenas mais uma etapa a ser vencida.

 

— Eu nunca pensei em desistir. Meus companheiros sempre foram os livros e a música clássica me dava leveza de espírito para seguir em frente. Eu pensava que se Beethoven se tornou um dos grandes compositores da história eu também poderia me tornar um bom médico. E deu certo.

 

No dia 6 de junho deste ano, o menino Juca se tornou o Dr. Cícero Batista. Na formatura foi ovacionado por professores, colegas e os pais daqueles que costumavam discriminá-lo por ser negro e pobre.

 

Hoje faz questão de contar a própria história no lugar onde tudo começou. A casa ainda sem nenhum conforto na QNL 20 é o lugar que abriga a mãe e os livros achados no lixo e nas paradas de ônibus. Os planos agora são outros, mas sempre focados em dias melhores.

 

— Eu quero justificar a confiança que meus professores e meus amigos depositaram em mim. Por isso estou focado em me tornar um bom médico, dar uma vida melhor para minha mãe e depois me especializar em psiquiatria ou pediatria. Mas ainda penso estudar Direito, quem sabe. (r7)

 



Comentários

  • ROBISON

    " Parabéns e muito sucesso a esse guerreiro, este deverá ser o exemplo de luta assistido por nós brasileiros. Com estes cidadãos lindos e dedicados faremos um grande futuro honesto para nossa nação. Fico muito grato por ler esta reportagem. Abraços e Deus o ilumine sempre a multiplicar mais Juca para esta nação carente desta gente."

Deixe seu comentário