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Joesley diz que Temer era 'o chefe da orcrim' e superior de Cunha; Geddel era mensageiro

Entrevista foi concedida à revista Época | Foto: Reprodução/ Facebook

O sócio da holding J&F (a qual pertence o grupo JBS) Joesley Batista afirmou em entrevista publicada nesta sexta-feira (17) pela revista Época que o presidente Michel Temer “é o chefe da Orcrim [sigla para organização criminosa] da Câmara”.  Temer, Eduardo, Geddel, Henrique [Alves], [Eliseu] Padilha e Moreira [Franco]. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles", completou. Ele reforçou dizendo que o grupo que eles compõem é "“a maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil. Liderada pelo presidente”. O empresário disse ter certeza de que o peemedebista sabia dos supostos pagamentos feitos ao ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha e ao doleiro Lúcio Bolonha Funaro, apontado como seu aliado. "Sem dúvida [Temer sabia dos pagamentos]. Depois que o Eduardo foi preso, mantive a interlocução desses assuntos via Geddel. O presidente sabia de tudo", afirmou. Joesley acrescentou ainda que Temer está acima de Cunha no esquema do qual participam. "A pessoa à qual o Eduardo se referia como seu superior hierárquico sempre foi o Temer”. Segundo o empresário, ele recebia pedidos de Temer. "O Temer não tem muita cerimônia para tratar desse assunto. Não é um cara cerimonioso com dinheiro", classificou. "Acho que ele me via como um empresário que poderia financiar as campanhas dele -e fazer esquemas que renderiam propina". Ele citou um exemplo. "Teve uma vez também que ele me pediu para ver se eu pagava o aluguel do escritório dele na praça [Panamericana, em São Paulo]", contou. Joesley afirma que não atendeu à solicitação. Na “organização” apontada pelo sócio da J&F, o ex-ministro Geddel Vieira Lima desempenhava um papel de mensageiro. "E toda hora o mensageiro do presidente me procurando para garantir que eu estava mantendo esse sistema", afirmou, acrescentando posteriormente: "Geddel [era o mensageiro]. De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lúcio calmos era eu", detalhou. Como já havia dito na delação da JBS, ele perdeu o contato após Geddel deixar a Secretaria de Governo. "Eu informava o presidente por meio do Geddel. E ele sabia que eu estava pagando o Lúcio e o Eduardo. Quando o Geddel caiu, deixei de ter interlocução com o Planalto por um tempo. Até por precaução". Segundo Joesley, além de Temer, Cunha e Funaro também faziam pedidos. No caso deles, as solicitações eram variadas – em uma das situações, Cunha teria pedido R$ 5 milhões para evitar a abertura de uma CPI que atingiria a JBS. O empresário afirma que não fez o pagamento. Os pedidos teriam continuado mesmo após a prisão do parlamentar, em outubro do ano passado. Joesley voltou ao Brasil no último domingo (11) para prestar esclarecimentos à Procuradoria Geral da República (PGR) – em comunicado, ele afirmou que estava na China, não nos Estados Unidos.



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